Trabalhadores do Centro Nacional de Pensões manifestaram-se por melhores condições de trabalho
Meia centena de trabalhadores do Centro Nacional de Pensões (CNP) manifestaram-se hoje junto à sede do Instituto da Segurança Social, em Lisboa, para exigirem melhores de condições de trabalho, a contratação de novos trabalhadores e a integração dos precários.
*** serviço áudio e vídeo disponível em www.lusa.pt ***
Lisboa, 09 fev (Lusa) — Meia centena de trabalhadores do Centro Nacional de Pensões (CNP) manifestaram-se hoje junto à sede do Instituto da Segurança Social, em Lisboa, para exigirem melhores de condições de trabalho, a contratação de novos trabalhadores e a integração dos precários.
Em declarações à agência Lusa, Sebastião Santana, dirigente do Sindicato dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais do Sul e Regiões Autónomas (STFPS), explicou que há dez anos o número de trabalhadores do CNP era “de cerca de 1000 e hoje é de 339”, o que levou ao “aumento dos ritmos de trabalho, o que é difícil suportar”.
Em simultâneo, “as condições de trabalho degradaram-se muitíssimo”, disse, exemplificando com “a falta de ‘toner’ nas impressoras e a falta de cordel para atar os processos” e com o facto de os trabalhadores “terem de almoçar em cima das secretárias e dos processos por não terem um refeitório, o que atrapalha o trabalho diário das pessoas”.
Esta situação, segundo o dirigente sindical, “pode trazer constrangimentos ao processamento das pensões”, o que é “uma das grandes preocupações dos trabalhadores do CNP” e da Confederação Nacional de Reformados Pensionistas e Idosos (MURPI), que esteve representada nesta ação de luta.
A dirigente do MURPI, Isabel Quintas, lembrou à Lusa que o movimento apresentou uma carta aberta de apoio a esta ação dos trabalhadores do CNP, manifestando-se solidário com a luta por melhores condições de trabalho e por mais trabalhadores efetivos.
“O CNP encontra-se depauperado de pessoal e das condições técnicas mais básicas para que os trabalhadores possam efetivamente produzir um trabalho célere e de qualidade aos requerentes de pensão e aos pensionistas portugueses”, salientou.
Isabel Quintas referiu ainda que o MURPI é “o recetáculo de centenas de reclamações” dos reformados e requerentes portugueses, que “veem o seu direito à pensão muito atrasado”, isto é, as pessoas demoram muito tempo para que lhes seja atribuída a pensão, além de terem “uma grande dificuldade” de acesso à informação.
Ana Avoila, Coordenadora da Frente Comum, considerou lamentável que se tenha chegado até aqui, e explicou que “pagam os trabalhadores”, mas essencialmente quem paga são “os reformados e quem se vai reformar”.
O sindicato lançou um pré-aviso de greve para hoje com o objetivo de os trabalhadores do CNP poderem participar na manifestação.
Já o Conselho Diretivo do Instituto de Segurança Social informou que a greve hoje realizada teve a adesão de 12% em relação ao total dos 342 trabalhadores.
“O Atendimento do Centro Nacional de Pensões não foi afetado, uma vez que nesse serviço não houve adesão à greve, decorrendo com toda a normalidade”, segundo o comunicado hoje divulgado.
O Conselho Diretivo esclareceu ainda que vai “prosseguir os esforços que estão a ser desenvolvidos para dar resposta à necessidade de melhoria das condições de trabalho e de recursos humanos”.
Uma delegação de representantes dos manifestantes entregou uma moção no Instituto de Segurança Social com as principais preocupações dos trabalhadores.
JS // CSJ
By Impala News / Lusa