Macau enfrenta “difícil transição”, mas parte de posição favorável para diversificar economia — FMI
O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que os recentes ‘choques’ sofridos pela economia de Macau evidenciam a importância da estratégia de a diversificar, mas destaca que o antigo enclave português parte de uma posição forte para enfrentar essa “difícil transição”.
Macau, China, 15 fev (Lusa) — O Fundo Monetário Internacional (FMI) defende que os recentes ‘choques’ sofridos pela economia de Macau evidenciam a importância da estratégia de a diversificar, mas destaca que o antigo enclave português parte de uma posição forte para enfrentar essa “difícil transição”.
“Os recentes ‘choques’ externos sublinham a importância da estratégia das autoridades de uma transição para um modelo económico mais diversificado”, mas “felizmente, a Região Administrativa Especial de Macau, inicia esta transição a partir de uma posição de força”, dado que conta com “importantes amortecedores”, sublinha a instituição com sede em Washington num relatório divulgado na terça-feira.
Com uma economia fortemente dependente da indústria do jogo, Macau tem, há muito, o “ambicioso plano” — como descreve o FMI — de a diversificar, uma meta que compreende três frentes.
Em primeiro lugar, diversificar a própria indústria do jogo — do segmento VIP para o mercado de massas, tornando-o menos dependente dos grandes apostadores; depois alargar a própria carteira de turistas — procurando atrair mais visitantes pela oferta extrajogo em detrimento dos casinos — e, por fim, abrir o espectro das fontes de rendimento do setor do turismo para o dos serviços financeiros, conforme o primeiro plano quinquenal de Macau apresentado no ano passado.
Arrastada pelo desempenho da indústria do jogo, que viveu uma prolongada curva descendente que durou 26 meses após anos de crescimentos exponenciais, a economia de Macau entrou em queda no terceiro trimestre de 2014, ano em que, pela primeira vez desde a transferência do exercício de soberania de Portugal para a China, em 1999, o seu Produto Interno Bruto (PIB) diminuiu (-1,2%).
Já em 2015, o PIB caiu 21,5%.
No primeiro e segundo trimestres de 2016 contraiu-se 12,4% e 7%, respetivamente, em termos anuais homólogos.
E, ao fim de dois anos de contração, a economia de Macau voltou a crescer, com o PIB a aumentar 4% no terceiro trimestre de 2016, ficando a faltar conhecer os dados relativos ao quarto trimestre e ao cômputo de 2016, com publicação prevista para início de março.
Apesar de notar que os ‘choques’ sofridos pela economia de Macau colocaram em relevo a importância de diversificar o tecido económico — com “a rapidez e dimensão da recente queda da procura externa a servir de lembrete de quão curta a base se tornou durante os anos de ‘boom'” –, os efeitos no resto da economia foram “surpreendentemente limitados”.
Neste âmbito, o FMI dá o exemplo da taxa de desemprego, que permaneceu abaixo de 2%, perto do seu mínimo histórico de 2014 (1,7%) e da mediana dos salários, que estabilizou, mantendo-se 7% acima dos níveis de 2014.
“A principal fonte dessa resiliência foi que, não obstante a média das despesas dos visitantes ter caído significativamente, o número de turistas manteve-se basicamente estável”, pelo que, “a grande fatia da contração nas receitas foi absorvida na forma de lucros extraordinários menores em vez de numa redução do emprego”.
Além disso, “a resiliência na procura por mão-de-obra no setor do turismo ajudou a conter a queda no consumo interno e a deterioração da qualidade dos ativos bancários”.
“Apesar de a economia não-jogo ter sido notavelmente resiliente, tal volatilidade pode minar o crescimento a longo prazo ao aumentar as incertezas macroeconómicas”, observa ainda o FMI, notando, neste âmbito, ser então “importante” a estratégia do Governo de diversificar a sua economia nas definidas três frentes.
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By Impala News / Lusa