Subida dos juros do crédito à habitação em março trava ciclo de quedas
Os juros do crédito à habitação subiram para 3,088% em março. O INE confirma o primeiro aumento em 25 meses. Saiba como isto impacta a sua prestação.
Os juros do crédito à habitação voltaram a subir em março de 2026, estancando uma sequência de alívio que se estendia há mais de dois anos. Os números oficiais, publicados nesta terça-feira, 21 de abril, pelo Instituto Nacional de Estatística (INE), mostram que a taxa de juro implícita avançou para os 3,088%.
Este movimento trava a descida contínua iniciada em janeiro de 2024 e espelha o nervosismo dos mercados perante a instabilidade no Médio Oriente, que acabou por empurrar as taxas Euribor para cima.
Fim das descidas consecutivas no imobiliário
A subida registada pelo INE é curta – de 3,079% em fevereiro para os atuais 3,088% –, mas carrega um forte peso simbólico para quem paga casa. Apesar de o custo do dinheiro estar ainda longe dos 3,735% registados há exatamente um ano, esta inversão inesperada obriga as famílias a refazer contas. Segundo o organismo público, o capital médio em dívida subiu para os 67.542 euros, enquanto a prestação mensal média se fixou nos 355 euros.
A pressão varia consoante o tipo de contrato, mas os empréstimos indexados à Euribor a seis meses, que dominam o mercado nacional, são os primeiros a sentir o choque. Nestes casos, a revisão das prestações em abril deverá trazer aumentos após dois anos de quedas sucessivas. Contas feitas por especialistas indicam que, num financiamento de 200 mil euros a 30 anos, o agravamento mensal pode ultrapassar os 30 euros.
Instabilidade externa dita regras ao BCE
A análise cruzada de dados do INE e do Banco de Portugal revela que o mercado está refém de fatores externos. A incerteza quanto à inflação na Zona Euro, alimentada pela escalada do conflito entre Irão, Estados Unidos e Israel, é o principal motor desta subida.
O cenário atual
- • Reação imediata dos contratos futuros da Euribor, que agora apontam para valores em torno dos 2,5% até ao final de 2026;
- • Postura de “extrema prudência” por parte do Banco Central Europeu (BCE), que mantém o alerta para uma economia marcada por riscos crescentes.
- • Especialistas do setor são claros ao afirmar que “o custo do dinheiro está a reagir em tempo real à geopolítica”, o que retira margem de manobra aos orçamentos domésticos.
Estratégias para proteger o orçamento familiar
- Com o fim do ciclo de descidas, as recomendações para os titulares de empréstimos tornam-se mais urgentes.
- • Conferir detalhadamente a data da próxima revisão do indexante no contrato;
- • Analisar a transição para taxas mistas, uma opção que tem ganho terreno por garantir estabilidade a curto prazo;
- • Avaliar a viabilidade de amortizações antecipadas para reduzir o capital em dívida e, consequentemente, a exposição a futuras subidas.