MNE iraniano aconselha Washington a “açaimar” Israel ou Teerão irá fazê-lo

O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano recomendou hoje aos Estados Unidos que controlem os seus “animais de estimação em Telavive”, ou Teerão “irá dar-lhe uma lição”.

MNE iraniano aconselha Washington a

Numa mensagem na rede social X, Abbas Araghchi usou metaforicamente esta imagem para alertar que os termos do memorando de entendimento assinado com Washington em 17 de junho “são cristalinos e públicos, acessíveis a todos”.

Ao abrigo deste acordo preliminar, que suspendeu as hostilidades na guerra lançada em 28 de fevereiro por Estados unidos e Israel contra a República Islâmica, o chefe da diplomacia de Teerão afirmou que o Presidente norte-americano, Donald Trump, se comprometeu “a açaimar os seus animais de estimação em Telavive”, acrescentando que, se Israel “ignorar o seu dono, o Irão vai dar-lhe uma lição”.

Qualquer ameaça contra o povo e liderança iraniana “receberá uma resposta imediata e contundente”, ameaçou Araghchi em resposta a declarações do ministro da Defesa israelita, nas quais avisou que o líder supremo da República Islâmica, Mojtaba Khamenei, está marcado para morrer e que não precisa de autorização de Washington para o fazer.

Israel Katz descreveu os iranianos como “bons negociadores”, mas reiterou que Israel não permitirá que desenvolvam armas nucleares, sugerindo que o seu país pode retomar as hostilidades a qualquer momento se as conversações falharem.

Hoje, reafirmou também que as forças israelitas permanecerão “por tempo indeterminado” no Líbano, país abrangido pela trégua acordada por Washington e Teerão, e também no sul da Síria e na Faixa de Gaza.

As declarações dos dirigentes de Israel e do Irão surgem no dia em que delegações de Washington e Teerão estiveram presentes em Doha para avaliar a implementação do memorando.

Segundo as autoridades de Doha, o emir do Qatar, Tamim bin Hamad al-Thani, reuniu-se com os enviados norte-americanos, Jared Kushner e Steve Witkoff, para discutir “o progresso das negociações” entre os Estados Unidos e o Irão.

Al-Thani confirmou o seu apoio a “todas as vias de diálogo decorrentes do memorando de entendimento, com o objetivo de alcançar uma solução abrangente e sustentável que reforce a segurança regional e promova a paz e a segurança internacionais”, segundo um comunicado divulgado pelo Qatar.

Por sua vez, os enviados norte-americanos afirmaram que pretendem “continuar o processo de negociação e intensificar os esforços diplomáticos para alcançar um acordo abrangente”, de acordo com a versão fornecida por Doha.

Estes contactos ocorreram no mesmo dia em que o vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão, Kazem Garibabadi, se reuniu na capital qatari com o ministro dos Negócios Estrangeiros do Qatar.

Após o encontro, foi realizada uma nova reunião, desta vez com a participação do Paquistão, segundo a agência noticiosa oficial iraniana IRNA.

O Presidente norte-americano afirmou pelo seu lado que as negociações com o Irão estão a progredir bem e que há avanços no sentido da “desnuclearização” da República Islâmica, embora tenha evitado mais detalhes sobre as negociações indiretas realizadas em Doha.

O cessar-fogo em vigor foi um resultado imediato de um memorando de entendimento assinado em 17 de junho pelos Estados Unidos e Irão, a que se segue um período de 60 dias para as partes alcançarem um acordo de paz definitivo.

As negociações estão centradas no futuro do estreito de Ormuz e no programa nuclear iraniano, bem como no levantamento das sanções contra a República Islâmica e dos seus bens congelados no exterior.

O diálogo foi ameaçado nos últimos dias por ataques de ambos os lados, bem como pela continuação da ofensiva de Israel no Líbano contra o grupo xiita Hezbollah, aliado de Teerão.

HB // JH

By Impala News / Lusa

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