Governo timorense aceitou maioria das recomendações sobre direitos humanos feitas pela ONU

O governo da República Democrática de Timor-Leste aceitou a maioria das 154 recomendações feitas por 59 delegações que participaram na Revisão Periódica Universal do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, rejeitando apenas oito.

Governo timorense aceitou maioria das recomendações sobre direitos humanos feitas pela ONU

Genebra, 16 mar (Lusa) – O governo da República Democrática de Timor-Leste aceitou a maioria das 154 recomendações feitas por 59 delegações que participaram na Revisão Periódica Universal do Conselho dos Direitos Humanos da ONU, rejeitando apenas oito.


O Relatório do Grupo de Trabalho sobre a Revisão Periódica Universal foi tornado público a propósito da 34.ª sessão do Conselho dos Direitos Humanos, que decorre em Genebra até 24 de março.


O ministro da Justiça, Ivo Valente, chefiou a delegação que se deslocou no início de novembro de 2016 a Genebra para a “avaliação do segundo ciclo do mecanismo de Revisão Periódica Universal (RPU)” da situação do respeito pelos direitos humanos no país.


O Governo timorense reiterou o seu empenho no exercício e na promoção dos Direitos Humanos, tendo aceitado 146 das recomendações, das quais 14 já tinham sido aplicadas e 118 estão em fase de implementação.


Nas respostas que apresentou, refere que “todas as recomendações foram cuidadosamente examinadas pelo Governo de Timor-Leste, de acordo com o regime jurídico existente, as principais políticas e programas do Governo, a capacidade de as instituições relevantes as implementarem e também os fatores e perspetivas socioculturais relevantes da sociedade timorense”.


Por exemplo, o ministro mostrou preocupação com os direitos das pessoas com deficiências e reiterou o compromisso de finalizar a ratificação da Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência e de implementar as obrigações que tal implica.


Ivo Valente manifestou também empenho no combate à violência de género, recordando que a discriminação com base no género sexual é proibida por lei, e ao uso excessivo de força policial e consequente violação dos direitos humanos, e reconheceu a importância do registo de nascimento, o qual quer garantir a todas as crianças do país.


O ministro assumiu também o compromisso para a promoção dos direitos da mulher e da igualdade de género e o combate à violência contra as mulheres, mesmo reconhecendo existirem obstáculos.


“Embora a promoção e proteção dos direitos das mulheres represente um grande desafio para a sociedade timorense, também continua a ser uma prioridade e o Governo está a fazer um grande esforço para evidenciar a contribuição para o desenvolvimento nacional e político, investindo particularmente nas áreas da educação, economia e participação política”, disse, no documento.



O Governo timorense reconheceu ainda que o acesso à justiça é algo que “enfrenta uma série de desafios, incluindo a falta de mecanismos de assistência jurídica, a falta de sensibilização para os direitos e a falta de conhecimento sobre as ferramentas que estão acessíveis para ter acesso à justiça”.


Quanto às oito recomendações de que tomou nota, algumas das quais incentivavam a ratificação de algumas convenções e acordos internacionais, respondeu não poder assumir o compromisso de o fazer no curto-prazo.


Outras quatro recomendações foram rejeitadas, nomeadamente a da elevação da idade mínima legal para o casamento de 18 anos para ambos rapazes e raparigas e a sugestão feita pelo Haiti para que seja introduzido um rendimento mínimo garantido para todos os timorenses adultos financiado pelos rendimentos da exploração do petróleo.


“Estas são recomendações que Timor-Leste não pode comprometer-se a implementar atualmente, porque não estão de acordo com as perspetivas da sociedade timorense”, justificou o executivo.


Foi a segunda vez que o país foi submetido a esta análise – a primeira foi em outubro de 2011 -, que visa avaliar o cumprimento por parte de Timor-Leste das obrigações e compromissos internacionais assumidos em matéria de direitos humanos.



BM (ASP) // VM

By Impala News / Lusa