UNITA quer auditoria aos dados dos eleitores angolanos antes do fecho dos cadernos

A UNITA desafiou a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola a ordenar uma auditoria ao ficheiro dos dados dos eleitores inscritos para votar nas eleições gerais de agosto antes de fechar os cadernos eleitorais.

UNITA quer auditoria aos dados dos eleitores angolanos antes do fecho dos cadernos

Luanda, 19 abr (Lusa) – A UNITA desafiou a Comissão Nacional Eleitoral (CNE) de Angola a ordenar uma auditoria ao ficheiro dos dados dos eleitores inscritos para votar nas eleições gerais de agosto antes de fechar os cadernos eleitorais.


A posição surge expressa na declaração final divulgada hoje sobre a reunião do comité permanente da Comissão Política da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA), realizada na terça-feira, em Luanda, sob orientação do presidente do partido, Isaías Samakuva, para analisar a conclusão do processo de registo eleitoral.


O registo eleitoral foi realizado entre agosto e 31 de março, coordenado pelo Ministério da Administração do Território (MAT) e não pela CNE, como exigia a oposição, com a UNITA a alertar que “os principais responsáveis pela recolha e atualização de dados dos eleitores são também dirigentes partidários candidatos à eleição”.


Além disso, escreve o maior partido da oposição a CNE, enquanto supervisora, e no quadro da apreciação dos relatórios fornecidos pelo MAT, “não efetuou testes substantivos adequados para aferir da integridade das bases de dados e dos programas que a sustentam”, pelo que “somente uma auditoria à Base de Dados dos Cidadãos Maiores”, e demais elementos do registo eleitoral, “poderá atestar a integridade e segurança do ficheiro e validar os dados do universo eleitoral real”.


“A CNE deve garantir ao país a efetivação dessa auditoria de interesse público antes de elaborar os cadernos eleitorais”, exorta a UNITA.


O Ficheiro Informático dos Cidadãos Maiores (FICM) foi entregue à CNE esta semana, pelo MAT, com dados de 9.459.122 cidadãos em condições de votar.


Na mesma declaração, a UNITA manifesta a “profunda preocupação” por o MAT “não ter respondido ainda às questões que lhe foram colocadas” sobre a “integridade e lisura do processo de registo eleitoral”, nomeadamente sobre os eleitores de 2012 que fizeram prova de vida para estas eleições e que não receberam cartões ou “quantos faleceram realmente”, entre outras preocupações.


O partido continua a insistir, enquanto “exigência universal da democracia e da transparência eleitoral”, que os resultados eleitorais “sejam conhecidos e publicados por mesa de voto em todos os níveis de apuramento”, desde o municipal ao provincial e nacional, pretensão que continua a ser recusada pela CNE, que invoca questões legais.


“Os angolanos consideram ser de transcendente interesse nacional que a lei seja rigorosamente observada e que os erros cometidos em 2012 não sejam repetidos em 2017”, conclui a UNITA.


As eleições gerais deverão realizar-se no final de agosto, mas ainda não foram convocadas pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos.



PVJ // VM

By Impala News / Lusa