Tutela garante que a agência de notícias de Cabo Verde é para manter

O ministro com a tutela da comunicação social em Cabo Verde, Abraão Vicente, garantiu hoje que o fecho da agência de notícias cabo-verdiana “não está em cima da mesa”, mas sublinhou a necessidade reestruturar a empresa.

Tutela garante que a agência de notícias de Cabo Verde é para manter

Praia, 10 fev (Lusa) – O ministro com a tutela da comunicação social em Cabo Verde, Abraão Vicente, garantiu hoje que o fecho da agência de notícias cabo-verdiana “não está em cima da mesa”, mas sublinhou a necessidade reestruturar a empresa.


“Cabo Verde não pode dar-se ao luxo de não ter uma agência séria e credível no momento atual, em que temos uma crise na imprensa privada e há uma série de linhas editoriais, muitas vezes anónimas, e sem credibilidade”, disse Abraão Vicente.


“Precisamos de jornalismo de credibilidade e a Inforpress tem garantido ao longo dos anos essa credibilidade” acrescentou.


O ministro da Cultura e Indústrias Criativas, que tutela a comunicação social, falava hoje aos jornalistas, na cidade da Praia, no final de uma reunião com os trabalhadores da agência cabo-verdiana de notícias Inforpress.


A agência pública vive momentos de incerteza depois de o Governo do Movimento para a Democracia (MpD) ter oficialmente revertido a fusão com a empresa de rádio e televisão públicas, mas sem que até ao momento lhe tenha sido conferida autonomia financeira para poder trabalhar.


A situação tinha já sido considerada “muito preocupante” pela Associação de Jornalistas Cabo-Verdianos, que, em declarações recentes à agência Lusa, instou o Governo a dizer que planos tem para agência.


Abraão Vicente disse hoje que é necessário “reformatar a empresa”, estando neste momento a decorrer um estudo de consultora, que deverá estar concluído em meados de março e servirá de base à reestruturação da empresa.


“Como disse aos trabalhadores, não está em cima da mesa a extinção da Inforpress. Está avaliarmos o papel da empresa no contexto do jornalismo cabo-verdiano e tomarmos as melhores decisões”, disse.


Mais formação, mais meios e autonomia financeira e editorial são algumas das medidas identificadas como necessárias e que, segundo Abraão Vicente, implicam mais investimento do Estado na empresa.


Abraão Vicente explicou que, com o orçamento atual, a agência consegue pagar os salários, mas não tem verbas para fazer o investimento.


“Não há uma verba de autonomia e o que estamos a fazer neste momento é a trabalhar com o ministério das Finanças para perceber que pacote de investimento é preciso fazer”, disse.


Estimando que a agência precise anualmente de 56 mil milhões de escudos (cerca de 507 mil euros) para funcionar, o ministro adiantou que ainda este ano será concretizada a autonomia da Inforpress em relação à RTC.


A agência cabo-verdiana de notícias, com 32 anos de existência, conta neste momento com cerca de três dezenas de trabalhadores, na maioria jornalistas, e distribui notícias gratuitamente aos órgãos de comunicação social cabo-verdiana.



CFF // FPA

By Impala News / Lusa