Tarifa dos EUA impacta 6,28 mil ME das exportações brasileiras – ApexBrasil
A Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos (ApexBrasil) estimou hoje que 7,2 mil milhões de dólares (6,28 mil milhões de euros) das exportações brasileiras para os Estados Unidos serão afetados pela nova tarifa de 25%.
A estimativa foi calculada com base nas exportações brasileiras para os Estados Unidos registadas em 2025.
A ApexBrasil anunciou que lançará, em agosto, um plano de diversificação económica, em parceria com 57 entidades da agropecuária e da indústria, para apoiar empresas brasileiras afetadas na procura de novos mercados.
O plano terá um orçamento de 130 milhões de reais (22,2 milhões de euros), destinado, entre outras medidas, à inteligência de mercado, à vinda de compradores internacionais ao Brasil e à formação para empresas.
Segundo o presidente da ApexBrasil, Laudemir Müller, o objetivo não é abandonar o mercado norte-americano, uma vez que 699 produtos brasileiros ficaram isentos da sobretaxa.
Müller afirmou que a estratégia passa por fortalecer e ampliar mercados também para os setores que não foram atingidos pelas novas tarifas.
“A ApexBrasil faz mil eventos por ano, e agora o objetivo é aumentar ainda mais, com foco na diversificação”, declarou.
“É um plano geral, para todos os setores, mas com atenção especial àqueles que, ao mesmo tempo, estão sendo tarifados pelos Estados Unidos e terão as tarifas reduzidas com o acordo Mercosul-União Europeia”, acrescentou.
“É um novo olhar de oportunidades no cenário internacional”, afirmou, ao defender o aproveitamento de oportunidades nos mercados europeu e asiático.
Müller apontou oportunidades decorrentes da entrada em vigor do acordo Mercosul-União Europeia, além de mercados da Associação de Nações do Sudeste Asiático (ASEAN) e de países da Ásia Central, como o Uzbequistão e o Cazaquistão.
“Europa é a nossa prioridade, por causa do acordo, pelas oportunidades que ela cria”, afirmou, referindo que a Alemanha importa 1,3 biliões de dólares (1,1 biliões de euros) e poderá ampliar compras ao Brasil.
Segundo Müller, num contexto de instabilidade geopolítica e de procura por soberania alimentar e energética, “o Brasil é um grande parceiro, porque é um país amigo e estável”.
“O mundo olha diferente para o Brasil, um país democrático, estável, aberto, que negocia, negocia e negocia”, afirmou, destacando que confiança e relacionamento são essenciais no comércio internacional.
A iniciativa da agência ocorre depois de os Estados Unidos terem confirmado, na quinta-feira, uma tarifa adicional de 25% sobre produtos brasileiros, após concluírem uma investigação comercial conduzida pelo Escritório do Representante de Comércio dos EUA.
Ainda na conferência de imprensa, o presidente da ApexBrasil adotou o mesmo tom de críticas do Palácio do Planalto e, nesse sentido, classificou a ação de Washington como “absurda”.
“Essa é uma medida absurda do ponto de vista comercial, ela não tem nenhuma lógica para quem trabalha com comércio internacional”, declarou.
O presidente da ApexBrasil acrescentou que entidades norte-americanas parceiras da agência nos Estados Unidos também criticam a medida.
MYMA // MLL
By Impala News / Lusa