Recondução na Comissão Nacional Eleitoral criticada pela oposição angolana

A Assembleia Nacional angolana aprovou uma resolução reconduzindo no cargo o presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), André da Silva Neto, sob críticas das bancadas da oposição, que pediram coerência nas suas responsabilidades.

Recondução na Comissão Nacional Eleitoral criticada pela oposição angolana

Luanda, 31 jan (Lusa) – A Assembleia Nacional angolana aprovou hoje uma resolução reconduzindo no cargo o presidente da Comissão Nacional Eleitoral (CNE), André da Silva Neto, sob críticas das bancadas da oposição, que pediram coerência nas suas responsabilidades.


A resolução foi aprovada com os votos a favor do Movimento Popular de Libertação de Angola (MPLA), Frente Nacional de Libertação de Angola (FNLA) e do Partido de Renovação Social (PRS), enquanto os deputados da Convergência Ampla de Salvação de Angola – Coligação Eleitoral (CASA-CE) votaram contra, além da abstenção da União Nacional para a Independência Total de Angola (UNITA).


Na sua declaração de voto, o deputado e vice-presidente da UNITA, Raul Danda, acusou André da Silva Neto de não “facilitar a vida aos angolanos, relativamente à solidez da sua postura”.


Segundo o deputado, essa volatilidade dificulta a colocação em suas mãos de “sérios desafios e destinos” da soberania angolana, tendo em conta as eleições gerais de agosto próximo.


A oposição tem vindo a criticar sobretudo o processo de registo eleitoral, em curso, mas conduzido pelo Ministério da Administração do Território e não pela CNE.


“É preciso mudar de comportamento, o presidente da CNE tem sido de uma gritante e desastrosa falta de coerência”, apontou Raul Danda.


O vice-presidente do maior partido da oposição angolana pediu ainda esclarecimento sobre o recuar da posição inicial de André da Silva Neto quanto à disponibilidade de se manter no cargo, reconduzido nas funções depois de em 2016 ter alegado motivos de saúde e os 69 anos para não continuar.


“O avançar da idade é outro elemento evocado na carta, diz que já sente que a idade lhe confere o merecido descanso, o que aconteceu a esta idade? Decresceu, está a andar para trás, é um outro registo que faz com que a gente recue”, acusou Danda.


Em declarações à imprensa, André da Silva Neto explicou que um prognóstico errado sobre o seu estado de saúde levou-o a reconsiderar a sua posição e continuar a dirigir o processo, face a proximidade das eleições gerais agendadas para agosto deste ano e os conhecimentos já adquiridos ao longo dos anos de condução do processo.


De acordo com André da Silva Neto, a sua continuidade à frente da CNE “facilitaria um processo mais linear, mais transparente, para um bom êxito das eleições gerais de 2017”.


Por sua vez, o líder da bancada parlamentar da CASA-CE, André Mendes de Carvalho “Miau”, justificou o voto contra com a convicção de que André da Silva Neto “não é alguém que se bate no sentido de implementar as competências que a Constituição atribui à CNE”.


André Mendes de Carvalho “Miau” referiu que o presidente reconduzido da CNE não tem sido solidário com os seus pares na resolução de situações que carecem esclarecimentos.


“Porque quando os seus pares, nomeadamente os comissários nacionais, provinciais e municipais, se batem no sentido de ver esclarecidas algumas dúvidas, algumas leis que usurpam direitos e competências da CNE, em lugar de ser solidário, em lugar de fazer o mesmo exercício, ainda pune os seus pares. Por outro lado, queremos de facto dissipar as suspeições e o que podemos ver do exercício passado, de facto em lugar de dissipar essas suspeições age precisamente em sentido contrário. Sabemos que muita da fraude que se comete neste país é sob o olhar silencioso da CNE, por todas estas razões votamos contra”, disse.


Sobre as críticas dos partidos da oposição, André da Silva Neto não prestou comentários, acrescentando que a sua “verticalidade e imparcialidade na tomada de decisões” é conhecida.


“As pessoas me conhecem, sabem que sou um profissional de direito, exerci funções judiciais por mais de 30 anos, as pessoas que me conhecem, sabem a minha verticalidade e a minha imparcialidade na tomada de decisões. Por isso não sou eu a fazer uma apreciação de mim mesmo, mas aqueles que trabalham comigo sabem como sou e como faço as coisas”, adiantou.



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By Impala News / Lusa