Oposição pede mais, partido no poder em Cabo Verde diz que só depois de “arrumar a casa”

Os dois partidos da oposição cabo-verdiana esperavam mais do primeiro ano de governação do MpD, que se assinala hoje, mas o partido no poder garante que vai fazer “muito mais” depois de “arrumar a casa”.

Oposição pede mais, partido no poder em Cabo Verde diz que só depois de

Praia, 22 abr (Lusa) – Os dois partidos da oposição cabo-verdiana esperavam mais do primeiro ano de governação do MpD, que se assinala hoje, mas o partido no poder garante que vai fazer “muito mais” depois de “arrumar a casa”.


Os dois partidos da oposição parlamentar cabo-verdiana – Partido Africano da Independência de Cabo Verde (PAICV) e União Cabo-verdiana Independente e Democrática (UCID) – partilham praticamente da mesma opinião sobre o desempenho do primeiro ano de governação do Movimento para a Democracia (MpD).


Para a líder do PAICV, Janira Hopffer Almada, nesse período o MpD fez apenas “gestão corrente” do país e tomou “medidas avulsas” e “absolutamente descontextualizadas”.


O maior partido da oposição cabo-verdiana entende que o primeiro ano de governação já suscita “sérias preocupações”, com “profundas contradições” entre o que o partido prometeu na campanha eleitoral e o que consagrou no seu programa de Governo para a legislatura.


A presidente do PAICV criticou também a falta de soluções para o problema dos deslocados de Chã das Caldeiras, na ilha do Fogo, considerando que as pessoas estão em “abandono absoluto”, quando esse assunto foi uma das “bandeiras de campanha” do agora partido no poder.


Janira Hopffer Almada apelou, por isso, ao executivo que a partir de agora “se empenhe, se esforce e se dedique mais”, envolvendo todas as forças da Nação, para que as soluções prometidas deixem de ser “letra morta” e se transformem em “prática real”.


Passando em revista e apontando falta de soluções em praticamente todos os setores de governação, a também líder parlamentar do PAICV e o presidente da UCID criticaram a partidarização da administração pública, com o PAICV a considerar que é “a mais dura” de que se tem memória em Cabo Verde.


Janira Hopffer Amada apontou vários casos em que o Governo do MpD não realizou concursos públicos para nomear os membros dos Conselhos de Administração de empresas, como nos TACV, IFH, INPS, ASA ou Enapor.


“O que se assistiu foi um autêntico assalto do Estado pelos dirigentes, militantes e simpatizantes do MpD, com absoluta conivência do primeiro-ministro e do seu Governo”, protestou Janira Hopffer Almada.


A líder do PAICV reconheceu que não era possível o Governo cumprir tudo em apenas um ano, opinião partilhada pelo presidente da UCID, que considerou, porém, que esperava mais em “questões prioritárias” como segurança e emprego.


A nível do emprego, sublinharam o aumento da taxa para 15% em 2016, recordando que o MpD prometeu criar 45 mil postos de trabalho na legislatura, o que daria uma média de 9 mil por ano.


“Esperaríamos que nesta altura fossem dados pontos evidentes que o país estaria razoavelmente melhor do que aquilo que estava na altura do PAICV”, prosseguiu António Monteiro, que mesmo assim dá “o benefício da dúvida” ao Governo, esperando “resultados claros” este ano.


Por seu lado, o deputado e secretário-geral do Movimento para a Democracia (MpD), Miguel Monteiro, disse que o ano de Governo serviu sobretudo para “arrumar a casa”, sublinhando que o executivo encontrou uma “herança muito pesada” por parte da anterior governação.


O secretário-geral justificou-se com os problemas financeiros dos Transportes Aéreos de Cabo Verde (TACV), da Imobiliária, Fundiária e Habitat (IFH), o caso do Fundo do Ambiente e mais recentemente a falência do Novo Banco de Cabo Verde.


“O Governo teve de servir de bombeiro em várias situações que estavam e continuam a deixar o país sofrer com a anterior governação”, lamentou, afirmando, no entanto, que o atual Governo já “começou a fazer algo”, tendo registado um crescimento do PIB de 3,5%, quando a média dos últimos anos era de 1%.


Segundo Miguel Monteiro, o crescimento da economia demonstra que os investidores estão a ter mais capacidade, mais incentivos, o que, a prazo, vai também aumentar a emprego.


“Vamos fazer muito mais quando estivermos com a casa arrumada, mas já demos sinais claros que estamos na governação para uma melhoria significativa das condições de vida dos cabo-verdianos”, garantiu, apontando melhorias a nível das estatísticas da segurança.


Segundo dados da Polícia Nacional (PN) de Cabo Verde, a criminalidade diminuiu 3,3% no país em 2016, com menos 854 ocorrências em comparação com o ano anterior.



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By Impala News / Lusa