Nicolás Maduro assinou decreto com bases para eleger membros da Assembleia Constituinte

O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou o decreto com as bases para eleger os membros da Assembleia Constituinte (AC), que entregou no Conselho Nacional Eleitoral, em Caracas.

Nicolás Maduro assinou decreto com bases para eleger membros da Assembleia Constituinte

Caracas, 23 mai (Lusa) – O Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, assinou hoje o decreto com as bases para eleger os membros da Assembleia Constituinte (AC), que entregou no Conselho Nacional Eleitoral, em Caracas.


Durante o ato de apresentação das bases eleitorais, explicou que os membros vão ser eleitos no âmbito territorial e sectorial, mediante voto universal, direto e secreto.


Foi também explicado que vão ser eleitos 540 constituintes, dos quais 364 terão âmbito municipal, pela modalidade de lista e nominal, e que os restantes 176 vão ser escolhidos de maneira setorial, por trabalhadores, camponeses, pescadores, estudantes, deficientes, indígenas, reformados, empresários, comunas e conselhos comunais (antigas associações de vizinhos).


Hoje, o magistrado do Supremo Tribunal de Justiça (STJ), Danilo António Mojica Monsalvo, pediu ao Presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, que reflita sobre a convocatória, por considerar que “não é a solução à crise que sofre o país”.


“Senhor Presidente reflita bem. Os túmulos da nossa juventude circundam a Venezuela, basta já de perdas de mais vidas inocentes. A história não perdoará a quem não atue em função do interesse nacional”, disse.


Num vídeo divulgado em Caracas, o magistrado frisou que a Assembleia Constituinte “é uma aposta de alto risco, uma vez que está em jogo a estrutura do Estado e a paz social”.


“Encontramo-nos perante uma crise de tal magnitude que não se pode solucionar com a referida Constituinte nem tão pouco com medidas de repressão policial nem militar às manifestações de rua. É um momento de grandes decisões e é sua obrigação levar a cabo o consenso definitivo que requer o país para umas eleições imediatas e construtivas para todos”, frisou.


A 20 de maio último a procuradora-geral da Venezuela, Luísa Ortega Díaz, questionou a necessidade de ativação da Constituinte, considerando que poderá agravar a crise político-económica e social no país.


“Para resolver a crise, sem precedente, que atravessa o país, não é necessário, nem conveniente, levar a cabo uma transformação do Estado, nos termos que poderia supor uma nova Constituição”, disse a procuradora, próxima das posições do Governo, numa carta enviada ao presidente da comissão presidencial para a AC, Elías Jahua.


No passado dia 01 de maio, o Presidente Nicolás Maduro convocou os venezuelanos para elegerem uma Assembleia Nacional Constituinte cidadã para, justificou, preservar a paz e a estabilidade da República, incluir um novo sistema económico, segurança, diplomacia e identidade cultural.


Segundo Nicolás Maduro, como parte das suas “atribuições constitucionais” está a reforma do Estado venezuelano, modificar a ordem jurídica, permitindo a convocatória redigir uma nova Constituição.


A convocatória intensificou as manifestações a favor e contra o Presidente Nicolás Maduro, que ocorrem diariamente desde 01 de abril e durante as quais já morreram, pelo menos, 50 pessoas.



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By Impala News / Lusa