Movimento Partido da Terra defende alargamento do espaço Shengen a Cabo Verde
O eurodeputado e presidente do Movimento Partido da Terra, José Inácio Faria, defendeu, na cidade da Praia, o alargamento do espaço de livre circulação europeu a Cabo Verde, assegurando o empenho dos eurodeputados portugueses neste processo.
Praia, 04 fev (Lusa) – O eurodeputado e presidente do Movimento Partido da Terra (MPT), José Inácio Faria, defendeu, na cidade da Praia, o alargamento do espaço de livre circulação europeu (Shengen) a Cabo Verde, assegurando o empenho dos eurodeputados portugueses neste processo.
Cabo Verde está a estudar uma proposta, a apresentar à União Europeia, de extensão do espaço Shengen ao arquipélago, com quem o bloco europeu tem já uma parceria especial, que cumpre este ano uma década.
“Num momento em que se criam muros e se levantam muros pela Europa e pelo mundo penso que era salutar que fosse alargado o espaço Shengen a Cabo Verde até porque os cabo-verdianos têm um espírito muito europeu”, disse José Inácio Faria.
O líder do MPT e eurodeputado português falava aos jornalistas, na cidade da Praia, onde se encontra a participar na XI Convenção do Movimento para a Democracia (MpD), no poder.
Para José Inácio Faria, a posição geoestratégica de Cabo Verde, “encruzilhada entre África, América e Europa”, torna o país no “local ideal para ser abarcado pela plataforma do espaço Shengen”.
“É um espaço de trocas, de cooperação e de parceria e o [alargamento] não seria benéfico apenas para o futuro de Cabo Verde, mas para o da própria Europa”, sublinhou.
José Inácio Faria admite que nem todos os países europeus tenham a mesma posição, mas garantiu o empenho dos eurodeputados portugueses nesta causa.
“É complicado, mas temos que defender os nossos interesses e temos que dar apoio a esta aproximação, que é notória por parte de Cabo Verde e das autoridades cabo-verdianas”, disse.
Mostrou-se ainda convicto de que “todos os eurodeputados portugueses, sem exceção, são favoráveis a esta aproximação” e irão tentar rebater eventuais barreiras que venham a ser criadas por outros países da União Europeia.
“Há um grupo criado por mim, pelo Carlos Zorrinho (PS) e pelo Fernando Ruas (PSD) de defesa dos interesses e de amizade com os países lusófonos e é debaixo desse chapéu que estamos a tentar aproximar e a trazer ao debate esta questão, que é prioritária e fundamental neste momento”, disse.
Em dezembro, o Governo cabo-verdiano anunciou que está a fazer uma reflexão sobre a possibilidade de se tornar uma extensão do espaço de livre circulação europeu (Shengen).
O ministro dos Negócios Estrangeiros de Cabo Verde, Luís Filipe Tavares, considerou esta possibilidade “muito interessante para o país”, mas ressalvou que requer um estudo aprofundado e feito com calma.
“Queremos que Cabo Verde seja um país seguro, que garanta a segurança das pessoas que venham para Cabo Verde e sobretudo daquelas que saem de Cabo Verde para todos os países do mundo. É nesse quadro, e também no quadro do desenvolvimento económico que queremos para o nosso país, que estamos a fazer esta reflexão”, acrescentou.
Luís Filipe Tavares disse ainda que, no âmbito dessa reflexão, o país quer encontrar “a melhor forma de abordar a questão e de levar essa discussão às entidades internacionais” com as quais o país vai ter que cooperar nesta matéria.
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By Impala News / Lusa