Ministro da Defesa anuncia distinção às duas companhias de Comandos envolvidas no 25 de Novembro

O ministro da Defesa anunciou hoje que os militares das duas companhias do Regimento de Comandos “protagonistas dos acontecimentos” no 25 de Novembro de 1975 serão distinguidos na comemoração deste ano da data.

Ministro da Defesa anuncia distinção às duas companhias de Comandos envolvidas no 25 de Novembro

O anúncio foi feito por Nuno Melo durante um discurso na cerimónia do 64.º aniversário dos Comandos e do encerramento do 145.º Curso de Comandos, em Sintra.

Depois de considerar que, “50 anos depois, começou a ser feita alguma justiça” em relação ao 25 de Novembro, Nuno Melo disse que o tributo ao papel dos Comandos “está incompleto”, acrescentando que os acontecimentos dessa data só foram possíveis “porque houve quem tivesse lutado, quem tivesse dado um passo em frente, quem tivesse morrido pela nossa liberdade”.

“Até hoje, estes heróis nunca foram agraciados com a solenidade que o Estado lhes deve. Quero por isso anunciar-lhes que no próximo dia 25 de novembro de 2026, coletivamente ou individualmente, os Comandos que integraram as duas companhias protagonistas dos acontecimentos serão distinguidos, sendo também, a título póstumo, [distinguidos] aqueles que já não se encontrem entre nós”, anunciou.

O ministro disse que esta homenagem “é o mínimo que Portugal lhes deve” e enalteceu ainda o trabalho da comissão criada pelo Governo para comemorar o 50.º aniversário da data, em particular o do seu presidente, o general Alípio Tomé Pinto.

No mesmo discurso, Nuno Melo defendeu que o 25 de Novembro de 1975 é “talvez o maior legado dos Comandos” para a sua geração e foi o dia em que se “cumpriu o propósito originário do 25 de Abril de 1974”.

“O poder foi devolvido ao povo para que por si e através do voto expresso, cada um pudesse decidir livremente o seu destino. A lucidez venceu o PREC. As ocupações, os saneamentos, as prisões por delito de opinião, as detenções assentes em mandados assinados em branco, as ocupações, a deriva totalitária foi derrotada porque os Comandos voltaram a colocar a pátria acima de si próprios”, enfatizou.

O governante enalteceu ainda o papel de Ramalho Eanes e Jaime Neves num “momento definidor do regime”, bem como do tenente José Coimbra e do furriel Joaquim Pires, acrescentando que “escreveram com sangue o juramento feito perante a bandeira portuguesa, cometendo o sacrifício supremo para que pudéssemos ser livres”.

Questionado pelos jornalistas, após a cerimónia, sobre mais detalhes desta homenagem, Nuno Melo disse que ainda está a ser estudado se a distinção dos militares será feita coletivamente ou individualmente e insistiu que será o momento de “fazer justiça” a estes militares.

Em 25 de Novembro de 1975, cerca de mil paraquedistas da Base Escola de Tancos ocuparam o Comando da Região Aérea de Monsanto e seis bases aéreas, ato que o Grupo dos Nove considerou o indício de que poderia estar em preparação um golpe pela chamada esquerda militar.

A tentativa de sublevação daquelas unidades militares, conotadas com setores da extrema-esquerda, foi travada por um dispositivo com base no Regimento de Comandos da Amadora, sob o comando do então tenente-coronel Ramalho Eanes.

TS // SF

By Impala News / Lusa

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