Ministro da Cultura de Cabo Verde garante que não interfere na produção jornalística
O ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde garantiu que não interfere “de forma alguma” na produção jornalística, após críticas dos profissionais, e considerou irresponsável que se façam queixas a organizações internacionais de imprensa.
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Macau, China, 07 mar (Lusa) — O ministro da Cultura e Indústrias Criativas de Cabo Verde, Abraão Vicente, garantiu hoje que não interfere “de forma alguma” na produção jornalística, após críticas dos profissionais, e considerou irresponsável que se façam queixas a organizações internacionais de imprensa.
“Eu não interfiro de forma alguma, nem tenho como interferir na programação ou no calendário das reportagens. Fiquei absolutamente espantado pelo conteúdo e pelo teor do comunicado e aguardo ansiosamente que os jornalistas apresentem provas dos factos”, disse à Lusa Abraão Vicente, à margem do festival literário Rota das Letras, em Macau, em que participa.
A associação de jornalistas de Cabo Verde (AJOC) acusou na quinta-feira o ministro da Cultura das Indústrias Criativas (MCIC) de querer instrumentalizar o setor público, anunciando uma denúncia junto das organizações internacionais de defesa da liberdade de imprensa, como a Federação Internacional dos Jornalistas e a organização Repórteres Sem Fronteiras.
Em causa estão posições de Abraão Vicente na sua página na rede social Facebook, onde se referiu à Empresa Pública de Comunicação Social RTC como sendo parte integrante do seu ministério.
“O Outro lado do MCIC: RTC Canal público de comunicação social! Estamos prontos para levar a todos os cabo-verdianos o grande desfile de Carnaval em direto de Mindelo, garantimos também cobertura com reportagens em todos os outros Municípios”, escreveu.
O texto é acompanhado por várias fotografias da régie, incluindo uma do próprio ministro, que a AJOC considera, em comunicado, insinuar “um controle efetivo do trabalho dos profissionais” […] “sugerindo que a ingerência não é apenas sobre a transmissão mas inclui, também, indicações diretas das reportagens que devem ser feitas pelos jornalistas”.
“Nunca houve nem vai haver [ingerência]. Baseado nas declarações que eu fiz ninguém consegue ver de onde se tiraram as conclusões que se tiraram. De Macau tenho assistido um pouco espantado ao modo como se tem feito todo um debate com base em interpretações e não em factos reais”, comentou.
Dizendo-se de “consciência tranquila”, Abraão Vicente lembra que irá ao parlamento no dia 27 para “apresentar pela primeira vez a visão do Governo” para o setor da comunicação social e que aí irá “fazer os esclarecimentos que forem necessários” aos deputados.
Quanto a denúncias a organizações ligadas à liberdade de imprensa, o ministro considera que “seria de uma enorme irresponsabilidade fazer qualquer tipo de queixa a uma organização internacional sem provas concretas”.
“Se houver qualquer sinal de que o Governo está a interferir na gestão da informação, do jornalismo, eu espero que isso seja rapidamente esclarecido porque é do interesse do Governo que isso seja esclarecido. Cabo Verde é um país que prima pela absoluta liberdade de imprensa e nunca isso foi posto em causa”, afirmou.
Depois da primeira publicação na rede social, que suscitou reações críticas de vários jornalistas, o ministro publicou um segundo texto, justificando a sua intervenção com “o novo modelo de negócio” para o canal público, de que “o jornalismo e a informação são apenas uma parte muito pequena”.
Abraão Vicente considerou ainda “normais as resistências à mudança” dos conservadores e aludiu a uma “nova geração de jornalistas que brevemente entrará no mercado” e que saberá “compreender e acompanhar melhor os novos tempos da empresa”.
A AJOC entendeu esta afirmação do ministro como “uma advertência velada, mas bem percetível”, e uma ameaça de despedimento “aos jornalistas que não concordam com tentativas de manipulação”.
Abraão Vicente diz fazer “a leitura contrária”: “Há a clara afirmação que se vai contratar mais jornalistas para o canal público. Estamos perante duas interpretações de um facto. Eu como ministro digo que é preciso contratar, é preciso incentivar a entrada no mercado de novos jornalistas”.
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By Impala News / Lusa