Mário Soares: Manter visita à Índia é “uma bela homenagem” a Soares — Augusto Santos Silva
O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou que o facto de o primeiro-ministro manter a sua visita de Estado à Índia é “uma bela homenagem” a Mário Soares, que este compreenderia.
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Lisboa, 09 jan (Lusa) – O ministro dos Negócios Estrangeiros, Augusto Santos Silva, considerou hoje que o facto de o primeiro-ministro manter a sua visita de Estado à Índia é “uma bela homenagem” a Mário Soares, que este compreenderia.
Augusto Santos Silva, número dois do Governo, que regressou hoje a Lisboa vindo da Índia para estar presente nas cerimónias fúnebres de Mário Soares, falava aos jornalistas à entrada para o Mosteiro dos Jerónimos, onde o corpo do antigo Presidente da República está em câmara ardente.
“O facto de o primeiro-ministro manter a sua visita de Estado à Índia é, do meu ponto de vista, uma bela homenagem que presta ao doutor Mário Soares. Tenho a absoluta certeza de que o doutor Soares compreenderia, exatamente porque uma das muitas coisas que o doutor Soares nos ensinou foi que, justamente quando exercemos funções públicas, assumimos responsabilidades, temos deveres, em relação ao Estado, em relação ao país”, declarou.
“E o que o doutor António Costa está a fazer na sua visita de Estado muito importante à Índia é justamente a defender os interesses de Portugal”, acrescentou o ministro dos Negócios Estrangeiros.
Questionado se não poderia ter substituído o primeiro-ministro nessa visita de Estado à Índia, Augusto Santos Silva respondeu: “A nossa decisão foi exatamente simétrica, e parece-me essa ser a decisão mais adequada. O que nós decidimos é que seria eu a interromper a visita, visto que eu não protagonizo a visita”.
“Estava como ministro dos Negócios Estrangeiros, naturalmente, acompanhando o primeiro-ministro na visita de Estado. E, portanto, por um lado isso permite manter a visita de Estado na Índia liderada pelo primeiro-ministro, e ao mesmo tempo permite que o ministro dos Negócios Estrangeiros, como é sua responsabilidade, receba todas as delegações estrangeiras que vão assistir ao funeral e homenagear o doutor Mário Soares. E como também acontece que eu sou o número dois do Governo, isso significa que neste momento sou o primeiro-ministro em funções”, completou.
Mário Soares morreu no sábado, aos 92 anos, no Hospital da Cruz Vermelha, em Lisboa.
O Governo português decretou três dias de luto nacional, até quarta-feira.
O corpo do antigo Presidente da República está em câmara ardente no Mosteiro dos Jerónimos desde as 13:10 de hoje, depois de ter sido saudado por milhares de pessoas à passagem do cortejo fúnebre pelas principais ruas da capital com escolta a cavalo da GNR.
O funeral realiza-se na terça-feira, pelas 15:30, no Cemitério dos Prazeres, em Lisboa, após passagem do cortejo fúnebre pelo Palácio de Belém, Assembleia da República, Fundação Mário Soares e sede do PS, no Largo do Rato.
Nascido a 07 de dezembro de 1924, em Lisboa, Mário Alberto Nobre Lopes Soares, advogado, combateu a ditadura do Estado Novo e foi fundador e primeiro líder do PS.
Após a revolução do 25 de Abril de 1974, regressou do exílio em França e foi ministro dos Negócios Estrangeiros e primeiro-ministro entre 1976 e 1978 e entre 1983 e 1985, tendo pedido a adesão de Portugal à então Comunidade Económica Europeia (CEE), em 1977, e assinado o respetivo tratado, em 1985.
Em 1986, ganhou as eleições presidenciais e foi Presidente da República durante dois mandatos, até 1996.
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