Marcha contra barreiras à mobilidade de deficientes junta meia centena em Luanda

Meia centena de angolanos, vários em cadeiras de rodas, marcharam em Luanda numa caminhada contra as barreiras arquitetónicas que dificultam a mobilidade das pessoas com deficiência, mas os cartazes que pretendiam empunhar foram proibidos pela polícia.

Marcha contra barreiras à mobilidade de deficientes junta meia centena em Luanda

Luanda, 22 abr (Lusa) – Meia centena de angolanos, vários em cadeiras de rodas, marcharam hoje em Luanda numa caminhada contra as barreiras arquitetónicas que dificultam a mobilidade das pessoas com deficiência, mas os cartazes que pretendiam empunhar foram proibidos pela polícia.


“Estivemos mais de uma hora para podermos sair com a marcha, por causa da polícia. Rasgaram alguns cartazes e levaram outros. Só nos disseram que estavam na marcha pessoas com o propósito de causar distúrbios, que nós entendemos ser [para as autoridades] criticar o poder”, explicou à agência Lusa Adão Ramos, da Plataforma pela Inclusão (PpI), promotora da marcha de hoje.


Na origem deste protesto está a aprovação da lei sobre acessibilidades, já que um ano depois, acusam os participantes, “nada mudou” no país.


“Estavam presentes várias pessoas ligadas ao movimento revolucionário e ao processo dos ’15+2′ e por isso levou muito tempo para conseguirmos sair com a caminhada, devido à polícia”, explicou ainda Adão Ramos.


A marcha acabou por decorrer sem perturbações e culminou já depois das 13:00, com uma concentração no Largo das Heroínas, no centro de Luanda.


“Atingimos os objetivos, porque, pelo menos, conseguimos que se falasse sobre o assunto”, disse Adão Ramos.


Estes ativistas recordam que em junho de 2016 foi aprovada a lei das acessibilidades, que estabelece as normas sobre as pessoas com deficiência ou com mobilidade condicionada,


“Também prevê a eliminação de barreiras arquitetónicas. E de lá para cá não mudou absolutamente nada, portanto as dificuldades em termos de mobilidade ainda persistem”, disse.


Genericamente, esta lei, aprovada pelo parlamento angolano em maio de 2016 e promulgada no mês seguinte pelo Presidente da República, José Eduardo dos Santos, visa estabelecer as normas gerais, condições e critérios de acessibilidade para as pessoas com deficiência ou mobilidade condicionada, bem como eliminar as barreiras de acesso a todos os sistemas e serviços da comunidade.


A caminhada de hoje visou precisamente alertar as autoridades para o cumprimento da lei “por ser uma preocupação pontual e urgente”.


“Não mudou nada, nada foi feito e nenhuma movimentação a propósito se vislumbra. Diariamente vivemos na pele as consequências dessas barreiras arquitetónicas e, como forma de chamar a atenção para a importância de se mudar o atual estado das coisas, vamos levar a cabo esta caminhada”, explicou anteriormente Adão Ramos.


Antes mesmo da sua aprovação no parlamento angolano, a lei das acessibilidades foi alvo de algumas discussões públicas e, na ocasião, o ministro da Assistência e Reinserção Social de Angola, João Baptista Kussumua, assinalou a relevância do diploma para o país.


“Julgamos ser uma lei importante, pois qualquer um de nós está sujeito a problemas na vida, como um desastre, por exemplo, que pode impedir a pessoa de movimentar-se livremente. Propondo esta lei, estamos a prever o futuro de todos os cidadãos, para que tenham acesso aos edifícios e serviços sem qualquer tipo de dificuldade”, disse o governante, na altura.


Um ano depois da aprovação da lei, a PpI considera que “prevalecem os hábitos antigos”.



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By Impala News / Lusa