Falta de apoio levou a corte de 89% no trabalho de desminagem em Angola desde 2008
O apoio internacional à desminagem humanitária em Angola, realizada por três Organizações Não-Governamentais (ONG) estrangeiras, está em queda desde 2008 e até 2015 levou a uma redução de 89 por cento do trabalho no terreno.
Huambo, Angola, 15 jan (Lusa) – O apoio internacional à desminagem humanitária em Angola, realizada por três Organizações Não-Governamentais (ONG) estrangeiras, está em queda desde 2008 e até 2015 levou a uma redução de 89 por cento do trabalho no terreno.
Numa informação conjunta divulgada hoje, no Huambo, pela The Halo Trust, MAG (Mines Advisory Group) e Ajuda Popular da Noruega, as três principais ONG internacionais que asseguram a desminagem em Angola, 1.858 campos minados que resultaram da guerra civil estão hoje limpos de minas.
Equivale a 56,4% da meta para tornar Angola livre de minas até 2025, conforme convenções internacionais a que o país aderiu, mas ainda restam 1.435 campos, de dimensões variáveis, por intervencionar, deparando-se estas ONG com a progressiva quebra no financiamento a estas operações, provocando a redução do trabalho no terreno.
“No decorrer da última década, o financiamento para a desminagem humanitária tem estado em declínio. Entre 2008 e 2015, coletivamente a nossa capacidade diminuiu 89%”, lê-se na informação das três ONG internacionais que trabalham em Angola.
Estes dados são conhecidos precisamente 20 anos depois de a mediática visita de Diana de Gales ao Huambo (15 de janeiro de 1997) ter colocado a desminagem em Angola como objetivo internacional, o que levou estas organizações a recordar a data, naquela província, e a alertarem publicamente para a crise de financiamento que ameaça este processo.
“O Governo de Angola tem financiado significativamente a desminagem. Mas, devido à drástica queda na economia, devido à baixa do preço do petróleo, os orçamentos estão sofrendo cortes”, sustentam ainda.
As estimativas para a conclusão da desminagem em Angola apontam para necessidades de financiamento entre 2017 e 2025 de 246 a 275 milhões de dólares (até 258 milhões de euros), sendo que nesta altura apenas Estados Unidos, Japão e Suíça estão a fazer donativos para estas operações.
“A guerra civil terminou em 2002, contudo, as minas terrestres continuam a impactar sobre o povo angolano. Esta contaminação causa medo, lesões e mortes e restringe o acesso seguro à terra e outros recursos. Até agora, Angola continua sendo um dos países mais minados do mundo”, sublinham as três ONG.
No caso da MAG, a diretora-geral para Angola, Jeanette Dijkstra, explicou à Lusa que a organização está apenas concentrada na desminagem da província do Moxico, sem meios financeiros para avançar para a Lunda Norte e Lunda Sul, que também lhes estão atribuídas.
“Estamos prontos para avançar, é só ter orçamento”, afirma, estimando que a MAG ainda necessite de 105 milhões de dólares (98,6 milhões de euros) para terminar a limpeza das três províncias até 2025.
No Moxico, a MAG já devolveu às comunidades locais 91 milhões de metros quadrados, tendo recuperado 9.112 minas terrestres e engenhos explosivos não detonados, beneficiando diretamente quase 300.000 pessoas que vivem naquelas áreas.
“Todas as organizações a trabalhar em Angola estão a reduzir o número de equipas no campo, devido à falta de financiamento. É urgentemente necessário um investimento adicional”, apela a MAG.
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