Estado da nação: Raimundo acusa Montenegro de ilusão e afirma que realidade lhe vai “rebentar nas mãos”
O secretário-geral do PCP, Paulo Raimundo, acusou hoje o primeiro-ministro, Luís Montenegro, de viver na ilusão e de se alimentar da propaganda e afirmou que a realidade lhe vai “rebentar nas mãos”.
Paulo Raimundo, que falava na Assembleia da República, durante o debate sobre o estado da nação, criticou a posição do PS de disponibilidade para entendimentos com o executivo PSD/CDS-PP, que, alegou, está a governar “para cumprir os compromissos com os grandes grupos económicos”.
Dirigindo-se a Luís Montenegro, disse-lhe: “Chegou aqui a este debate ainda mais aflito do que aquilo que eu estava à espera, porque só isso é que explica a intervenção que fez a abrir este debate. O senhor primeiro-ministro vive na ilusão, alimenta-se da sua própria propaganda, e a realidade, senhor primeiro-ministro, vai-lhe rebentar nas mãos”.
“Será que o senhor primeiro-ministro já percebeu que quanto mais a sua política avança, quanto maior é a contestação e mais isolado fica? Daí a pressa na chamada reforma do Estado, essa reforma do Estado cujos resultados estão à vista com esta atrapalhada profunda nos exames nacionais”, acrescentou.
O secretário-geral do PCP atribuiu como plano da atual governação “arrasar os direitos dos trabalhadores, liquidar a Administração Pública, assaltar a Segurança Social”.
“Atacar a maioria para servir uma minoria, é essa a política de um Governo com uma política que é apoiada, naquilo que é fundamental, pelo Chega, pela IL e a quem o PS teimosamente continua a dar a mão”, criticou.
Na resposta, o primeiro-ministro defendeu que ambos sabem que têm diferenças inconciliáveis de pensamento político, mas que deveriam estar de acordo quanto ao que é objetivo, e apontou medidas tomadas nos últimos dois anos, como reduções do IRS, aumentos extraordinários das pensões mais baixas e acordos celebrados com os sindicatos.
“São 47 acordos que já reviram 38 carreiras e que integram mais de 350 mil trabalhadores da Administração Pública”, referiu.
Luís Montenegro disse também que, desde que assumiu as funções de primeiro-ministro, em 2024, “o salário mínimo aumentou 12,2%” e “o salário líquido em Portugal em dois anos aumentou 14,9%”.
“Se o Partido Comunista acha que tudo isto ainda é pouco, eu compreendo. O senhor deputado tem toda a legitimidade democrática para pedir mais. Não pode é deixar de reconhecer que isto já são resultados de dois anos de Governo”, comentou.
IEL // SF
By Impala News / Lusa