Dezenas de guineenses apelam em Lisboa à libertação de Domingos Simões Pereira

Algumas dezenas de guineenses manifestaram-se hoje em frente ao palácio de Belém, em Lisboa, num apelo ao Presidente da República, António José Seguro, para que atue junto da comunidade internacional para a libertação de Domingos Simões Pereira.

“Queremos que o Presidente intervenha junto das instituições internacionais, nomeadamente a Comunidade dos Países de Língua Portuguesa [CPLP], a Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental [CEDEAO], a União Africana e a União Europeia e depois, posteriormente, também junto das Nações Unidas […], influenciando favoravelmente a libertação de Domingos Simões Pereira”, disse à Lusa o organizador da manifestação, Mariano Quande.

O presidente eleito da Assembleia Nacional Popular da Guiné-Bissau, Domingos Simões Pereira, está “injustamente detido nas celas da Segunda Esquadra em Bissau, sem uma acusação formal, com um tribunal constituído à revelia da Constituição, propositadamente só para julgar um político”, asseverou o representante.

Na manifestação os participantes erguiam bandeiras da Guiné-Bissau e cartazes acusando o ex-Presidente da Guiné Bissau Sissoco Embaló de “traidor da pátria”. Entoavam gritos de ordem como “a luta continua” e “abaixo os traidores”.

“É todo um conjunto de repressões que existem no país neste momento, que merecem atenção e uma voz firme de Portugal, um país comprometido com a democracia, com os valores da liberdade, da justiça, e que pode dar um apoio importante neste momento a Guiné-Bissau para que se estabeleçam canais de comunicação e de diálogo entre os guineenses que possam de facto resolver e [permitir] sair deste impasse em que se encontram”, afirmou Quande.

Os manifestantes acusaram também o ex-governante Sissoco Embaló de usar “mãos de ferro para reprimir todas as liberdades e garantias do povo”, e de ter dissolvido a Assembleia da República “para não ser escrutinado, para fazer passar leis e acordos internacionais não avalizados pelo povo guineense”.

“Queremos denunciar um referendo, a proposta de um referendo do regime que sai de um golpe de Estado sem qualquer legitimidade popular”, disse Mariano Quande.

Esse referendo que é proposto no país, acrescentou, serviria para “a validação de uma nova Constituição aprovada por representantes deste Conselho de Transição, que saiu do próprio golpe de Estado, por isso não tem qualquer reconhecimento do povo guineense”.

Um pouco por todo o mundo, incluindo em Londres, várias guineenses têm saído à rua para apelar à libertação de Domingos Simões Pereira, que foi levado para a prisão a 10 de julho, onde permanece encarcerado durante o desenrolar do processo no Tribunal Civil.

AJR // ROC

By Impala News / Lusa

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