Colômbia diz que foi “ultrapassado um limite” na Venezuela e convoca embaixador

A Colômbia anunciou que vai convocar o seu embaixador em Caracas, ao considerar que foi ultrapassado “um limite” na Venezuela, onde o Supremo Tribunal assumiu os poderes do parlamento e privou os deputados da sua imunidade.

Colômbia diz que foi

Bogotá, 31 mar (Lusa) — A Colômbia anunciou hoje que vai convocar o seu embaixador em Caracas, ao considerar que foi ultrapassado “um limite” na Venezuela, onde o Supremo Tribunal assumiu os poderes do parlamento e privou os deputados da sua imunidade.


“Chamei [o embaixador] para que nos transmita informações” sobre a situação, declarou a chefe da diplomacia, Maria Angela Holguin, em declarações à rádio Caracol.


“A decisão do Supremo Tribunal de ontem (quinta-feira) ultrapassou um limite que não tinha sido efetuado até agora”, considerou, acrescentando: “Estou convencida que a única saída consiste num acordo entre oposição e Governo para garantir um país viável. Não existe outra possibilidade”.


O executivo do Presidente colombiano Juan Manuel Santos rejeitou quinta-feira a decisão do Supremo Tribunal venezuelano, ao manifestar a sua “profunda preocupação”.


Para além da Colômbia, o Peru e o Chile também convocaram os respetivos embaixadores em Caracas.


Numa reação à situação política na Venezuela, o chefe da diplomacia do Paraguai, Eladio Loizaga, também considerou hoje que ocorreu uma “rotura absoluta do Estado de Direito” e que os países da União das nações sul-americanas (Unasur) estão em contacto para emitir um comunicado que condena a decisão de quarta-feira do Supremo Tribunal, quando assumiu as competências do poder legislativo.


“Isto já significa uma rotura absoluta do Estado de Direito”, considerou Loizaga em declarações aos jornalistas na inauguração em Assunção do Fórum Empresarial, que coincide com a reunião anual do Banco Interamericano para o Desenvolvimento (BID).


No âmbito da Unasur, que integra 12 países da região sul-americana e tem por objetivo construir um espaço de integração político, económico, social e cultural “respeitando a realidade de cada nação”, o executivo do Equador apelou ao diálogo na Venezuela ao detetar uma recente e “profunda fratura entre o Governo e a oposição e um impasse entre os poderes do Estado”.


A Venezuela, dirigida por Nicolas Maduro, que sucedeu a Hugo Chávez (1999-2013), está a ser criticada por diversos países que denunciam um “golpe de Estado”, após a decisão do Supremo Tribunal, considerado próximo do poder, em retirar ao parlamento a capacidade de legislar.


Esta decisão do máximo órgão judicial traduz uma escalada suplementar da crise política que agita o país petrolífero após a vitória da oposição nas legislativas no final de 2015.


Nicolas Maduro concentra agora todos os poderes: executivo, legislativo, judicial e Forças Armadas.



PCR // EL

By Impala News / Lusa