Centeno atribui pressão sobre dívida “em grande medida” a trabalho que ficou por fazer na banca
O ministro das Finanças atribuiu a pressão existente sobre a dívida pública “em grande medida” ao facto de o anterior Governo não ter feito o devido trabalho no sistema financeiro português.
Lisboa, 18 jan (Lusa) – O ministro das Finanças atribuiu hoje a pressão existente sobre a dívida pública “em grande medida” ao facto de o anterior Governo não ter feito o devido trabalho no sistema financeiro português.
“Há uma pressão sobre a dívida portuguesa em grande medida porque o trabalho sobre o sistema financeiro estava todo por fazer”, disse Mário Centeno na Comissão de Orçamento e Finanças, na Assembleia da República, em Lisboa.
O responsável pela pasta das Finanças considerou que, ao invés de Portugal, já na Irlanda e em Espanha – “países com os quais comparam as nossas taxas de crescimento e taxas de juro” – foi feito esse trabalho, o que permite à dívida pública ter preços mais altos e, logo, pagar juros mais baixos do que a dívida pública portuguesa.
“Os sistemas financeiros são uma peça importantíssima dos nossos sistemas modernos e o nosso tinha Banif, Novo Banco”, afirmou Centeno, o que levou o deputado do CDS João Almeida a recordar, num aparte, que o Banif já tem mais de um ano pelo que não justifica pressões recentes sobre os títulos soberanos.
“Faça o senhor deputado o gráfico dos ‘spreads’ e veja quais as consequências que tiveram”, respondeu o governante.
Mais à frente na comissão parlamentar, Centeno voltou a falar das taxas de financiamento do Estado português, considerando que são um “bom indicador daquilo que é a leitura desses fundamentos” da economia e considerou que o Governo tem cumprido o seu objetivo de mostrar trabalho e resultados aos mercados.
O ministro das Finanças destacou que o Governo tem cumprido “os compromissos dentro do semestre europeu” e que a política seguida tem conduzido a uma “aceleração da economia portuguesa”, acrescentando que isso irá beneficiar também “o balanço dos bancos”.
Mário Centeno não deu indicações, contudo, de como está o processo de emissão de até 1.000 milhões de euros de obrigações da Caixa Geral de Depósitos – que faz parte do plano de recapitalização do banco público -, nem deu indicações de como poderá correr essa operação de financiamento do banco público.
Os deputados tinham-no questionado sobre o impacto da pressão sobre a dívida soberana portuguesa nessa operação de emissão de dívida da Caixa.
A semana passada, Portugal emitiu três mil milhões de euros em dívida a 10 anos com as taxas de juro a superarem os 4%, tendo os analistas contactados pela Lusa considerado que o custo não surpreendeu, mas a pedirem cautela relação às finanças públicas.
Já hoje Portugal colocou 1.750 milhões de euros em Bilhetes do Tesouro a seis e 12 meses a taxas de juro negativas e inferiores às dos anteriores leilões comparáveis.
Segundo o responsável pela negociação de dívida no Banco Carregosa, Filipe Silva, “os dois leilões correram bem e os resultados são francamente positivos”.
O responsável considerou ainda que as taxas de juro negativas e mais baixas do que nos últimos leilões de BT para estas maturidades resultam “da descida das taxas desde a semana passada em toda a dívida soberana europeia”.
Contudo, sublinhou que se trata “de dívida de curto prazo, o que lhe retira grande significado”.
“O mercado agora vai estar atento é ao que se vai passar na quinta-feira na reunião do BCE, para saber se há alguma novidade em relação ao plano de compra de ativos e se, em face das melhorias quanto à inflação, haverá algum ‘guidance’ [orientação] sobre as taxas de juro”, precisou.
IM/DN (SMS/MC) // MSF
By Impala News / Lusa