Brasil lamenta decisão da Venezuela de impedir opositor de exercer funções públicas

O Brasil lamentou a decisão da Venezuela de impedir o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, do direito de exercer funções públicas por um período de 15 anos, segundo um comunicado o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.

Brasil lamenta decisão da Venezuela de impedir opositor de exercer funções públicas

Brasília, 08 abr (Lusa) – O Brasil lamentou a decisão da Venezuela de impedir o governador do Estado de Miranda, Henrique Capriles, do direito de exercer funções públicas por um período de 15 anos, segundo um comunicado o Ministério das Relações Exteriores do Brasil.


Na nota, divulgada na noite de sexta-feira, o Governo brasileiro diz que se trata “de mais uma grave violação pelas autoridades venezuelanas das garantias e liberdades fundamentais”.


“O Governo brasileiro reitera o chamado [convocatória] dos Estados membros do Mercosul [Mercado Comum do Sul, do qual a Venezuela faz parte e está suspensa] para que seja restaurada a plena vigência das instituições democráticas na Venezuela”, lê-se no comunicado.


O Mercosul é composto pelo Brasil, Venezuela, Paraguai, Uruguai e Argentina, estando ainda a Bolívia na fase final de integração ao bloco.


O ex-candidato presidencial da oposição venezuelana, Henrique Capriles Radonski, anunciou na sexta-feira que foi “inabilitado” pela Controladoria-Geral da República (CGR) da Venezuela para exercer cargos públicos durante 15 anos.


“Informo o país e a opinião pública internacional que me estão agora a notificar, de uma interdição por 15 anos”, escreveu Henrique Capriles na sua conta do Twitter.


Capriles, que também é governador do Estado venezuelano de Miranda, foi multado na quarta-feira pela CGR “por ter reconduzido o orçamento de Miranda”, situação que diz tratar-se de um meio para “inabilitá-lo” e assim impedir que possa vir a candidatar-se a cargos políticos.


Com 44 anos de idade e militante do partido Primeiro Justiça (centro), Henrique Capriles Radonski foi recentemente investigado pela CGR por alegados vínculos com a construtora brasileira Odebrecht, acusada de pagar subornos para obter contratos em vários países da América Latina.


No entanto, segundo denunciou o próprio, as obras teriam sido contratadas pelo seu antecessor, Diosdado Cabello, uma das figuras chave do regime e que na altura era governador de Miranda.


O diretor para as Américas da organização não-governamental Human Rights Watch (HRW), José Miguel Vivanco, acusou o Executivo de Caracas de ter utilizado “métodos desonestos” para inabilitar Capriles.


Num comunicado, a organização acrescenta que o Governo do Presidente Nicolas Maduro utilizou “métodos desonestos para afastar um a um, do jogo democrático, todos os seus adversários políticos”.



CSR (FPG/PCR) // ZO

By Impala News / Lusa