Autoridades iranianas confirmam 1.ª reunião da comissão conjunta sobre Ormuz
As autoridades iranianas confirmaram hoje a primeira reunião da comissão conjunta com Omã sobre a gestão do tráfego marítimo no estreito de Ormuz, após a recente troca de acusações e ataques entre Teerão e Washington.
O vice-ministro dos Negócios Estrangeiros do Irão para os Assuntos Jurídicos e Internacionais, Kazem Gharibabadi, afirmou nas redes sociais que a comissão conjunta sobre o estreito de Ormuz realizou a reunião em Mascate, acrescentando que o secretário de Estado para os Negócios Estrangeiros de Omã, Abdulaziz al-Hanaei, também participou no encontro.
“Durante a revisão das questões atuais relacionadas com o estreito, trocámos opiniões sobre a sua futura gestão dentro da estrutura do artigo 5.º do Memorando de Entendimento de Islamabade e dos direitos soberanos dos Estados ribeirinhos”, declarou Gharibabadi, referindo-se ao acordo assinado com os Estados Unidos para colocar um fim à guerra no Médio Oriente.
A mensagem foi publicada horas depois de um responsável norte-americano ter confirmado, em declarações à agência de notícias Europa Press, que os Estados Unidos e o Irão “cessariam” as hostilidades e “continuariam as discussões técnicas” sobre o memorando de entendimento, assim que os navios “pudessem navegar livremente” pelo estreito de Ormuz.
A troca de ataques eclodiu na quinta-feira, após a agressão iraniana contra um navio com bandeira de Singapura que navegava pelo estreito de Ormuz. Washington descreveu este incidente como uma violação do acordo estabelecido entre os EUA e os iranianos, lançando posteriormente ataques aéreos de retaliação contra o Irão.
Teerão, por sua vez, denunciou uma violação do cessar-fogo e respondeu com ataques contra interesses norte-americanos no Médio Oriente.
O Irão afirmou no domingo que a responsabilidade pelo estreito recai exclusivamente sobre a República Islâmica.
“Nenhuma outra parte ou Estado está envolvido. Isto é perfeitamente claro no memorando de entendimento, e qualquer intervenção ou ação unilateral só irá piorar a situação e atrasar a reabertura do estreito”, disse o ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi.
Nos últimos meses, as autoridades iranianas têm insistido que o estreito deve ser gerido conjuntamente por Teerão e Mascate, os dois Estados costeiros da zona. Washington e outros países já apelaram para o regresso ao estatuto anterior ao conflito, referindo-se à ausência de portagens.
CSR // SB
By Impala News / Lusa