Aberto inquérito para apurar fuga e morte de dois reclusos em Maputo — Governo

A Polícia moçambicana abriu um inquérito para apurar a forma como dois reclusos foram levados de um carro celular e depois assassinados, anunciou o ministro do Interior, citado hoje pelo diário Notícias.

Aberto inquérito para apurar fuga e morte de dois reclusos em Maputo -- Governo

Maputo, 11 mai (Lusa) – A Polícia moçambicana abriu um inquérito para apurar a forma como dois reclusos foram levados de um carro celular e depois assassinados, anunciou o ministro do Interior, citado hoje pelo diário Notícias.


“A nossa obrigação é recomendar à PRM para prosseguir com a investigação de forma a localizar os que preparam o sequestro e os que ordenaram o assassínio”, afirmou Basílio Monteiro, que falava numa cerimónia da corporação em Maputo.


Dois corpos foram encontrados numa cova, na sexta-feira, pela população de Moamba, 70 quilómetros a noroeste da capital.


As famílias identificaram os corpos como sendo os de José Coutinho e Alfredo Muchanga, que foram levados por homens encapuzados que alvejaram o carro prisional em que seguiam, na baixa de Maputo, a 24 de abril.


José Coutinho era um dos três suspeitos do homicídio, ocorrido há um ano, do procurador Marcelino Vilanculo, magistrado que investigava raptos de homens de negócios – e que envolveriam o próprio Coutinho.


“Lamentamos o destino dos dois cidadãos”, afirmou o ministro do Interior, que afasta a possibilidade de a polícia estar envolvida na fuga dos reclusos, uma hipótese que tem sido veiculada pelos familiares das vítimas dada as circunstâncias do desaparecimento.


“Não é provável que tenha sido a polícia a inutilizar os seus meios e a colocar as suas próprias vidas em risco. Mas tomámos nota da análise feita pelos familiares”, declarou Basílio Monteiro, que espera “esclarecer a situação o mais rápido possível”.


A Procuradoria-Geral da República (PGR) também anunciou que a forma como aconteceu o ataque ao carro celular na baixa de Maputo está a ser investigada.


O assassínio dos dois reclusos pode tratar-se de um ato de “queima de arquivo”, visando impedir que seja conhecida a verdade sobre o homicídio do procurador Marcelino Vilanculo, disse na segunda-feira à Lusa o ex-bastonário da Ordem dos Advogados de Moçambique (OAM), Gilberto Correia.


“Esta é uma situação que mostra o nível de promiscuidade entre a criminalidade organizada e as instituições do Estado responsáveis pelo combate ao crime, demonstra o nível de infiltração do crime organizado nas instituições do Estado”, acrescentou.



EYAC (PMA/LFO) // VM

By Impala News / Lusa