Seguro considera Souto de Moura “figura decisiva” da cultura contemporânea nacional

O Presidente da República defendeu hoje que “saber habitar a terra” é “o grande segredo” e “a grande urgência” atual, numa cerimónia de homenagem ao arquiteto Eduardo Souto de Moura, que considerou “uma figura decisiva” da cultura contemporânea portuguesa.

Seguro considera Souto de Moura

“No momento em que nos interrogamos sobre o sentido da humanidade no meio de guerras devastadoras, ou de uma crise do relacionamento entre culturas e povos, evoco Eduardo Souto de Moura e uma das suas definições sobre o trabalho da arquitetura: a resposta a um problema, ou aos vários problemas do humano”, disse António José Seguro.

Depois de considerar que a arquitetura “é desenhar a ocupação do espaço a partir de um número limitado, mas variável, de elementos”, o Presidente da República disse ser “comovente” que “à pergunta sobre qual a ocupação mais apaixonante que há no mundo”, Souto de Moura responda “saber como habitar a terra”.

“Esse é o grande segredo e, ao mesmo tempo, a grande urgência do nosso tempo. Como ocupar o espaço, como dar-lhe uma dimensão humana a partir da história da arte, a partir dos materiais mais elementares e do seu equilíbrio matemático. Como preparar o espaço, o território, o chão das cidades, para a comunidade das mulheres e homens de hoje”, acrescentou.

Seguro sublinhou que Souto de Moura diz que “nada há de mais humano do que a arquitetura” e considerou que será talvez porque convoca o conhecimento e as interrogações “acerca da cidadania e economia, do ambiente e mobilidade humana, mas também da sociologia, justiça e igualdade – e também acerca do repouso, do risco, da beleza, da música dos elementos”.

“A arquitetura é a coisa mais irremediável que temos, além da própria vida. Isto faz dela uma espécie de segundo idioma da natureza transformado e manipulado pelo génio e pelo sentido do humano e da sua carga de imprevisível, de surpresa e de adaptação às nossas necessidades”, acrescentou.

O Presidente discursava em Barcelona, Espanha, numa cerimónia na basílica da Sagrada Família em que Souto de Moura recebeu a Medalha de Ouro da União Internacional de Arquitetos (UIA).

Seguro, que falou em inglês, disse sentir “mais do que alegria e orgulho” como Presidente da República de Portugal com a distinção atribuída ao arquiteto, que qualificou como “uma figura decisiva” da cultura contemporânea, “um sábio enternecedor, um mestre da arquitetura de hoje, um artista” e “um homem que abre janelas no meio das muralhas”.

“Estamos a festejar um dos nossos maiores”, afirmou Seguro, que disse ser “um amante da arquitetura” e agradeceu a Souto de Moura “em nome de Portugal”.

Na cerimónia de hoje, um dos momentos de destaque do Congresso Mundial de Arquitetura que está a decorrer em Barcelona, esteve também o ministro da Cultura de Espanha, Ernest Urtasun, que destacou como Souto de Moura “sempre abordou a arquitetura como um problema global em que vários temas-chave convergem”, como “a energia, custos, recursos e aspetos sociais”.

Um trabalho que “transcendeu as etiquetas de arquitetura inteligente, sustentável ou ecológica” para “abraçar uma definição de alcance ético, uma boa arquitetura”, disse o ministro, sobre Souto de Moura.

Nesta breve passagem hoje por Barcelona para esta cerimónia na Sagrada Família, o Presidente da República, que não prestou declarações aos jornalistas, teve também, durante a tarde, um “encontro de cortesia” com o presidente do governo regional da Catalunha, Salvador Illa.

O encontro resultou de um convite de Salvador Illa, que disse aos jornalistas, antes da chegada de António José Seguro à sede do governo catalão, que pretendeu assim expressar “o enorme apreço pelas boas relações que a Catalunha tem com Portugal”, históricas e atuais, que abrangem diversas áreas, desde a economia à cultura, e que “se vão estreitando” cada vez mais.

“Para nós, a dimensão ibérica é muito importante”, afirmou.

António José Seguro foi recebido por uma guarda de honra dos Mossos d’Esquadra da Catalunha (polícia regional) no palácio do governo autonómico, onde assinou o livro de honra, antes de se reunir à porta fechada com Salvador Illa.

MP // RBF

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By Impala News / Lusa

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