Moody’s corta ‘rating’ do Novo Banco devido à troca de dívida ligada à venda

A agência de notação financeira Moody’s reviu em baixa o ‘rating’ da dívida sénior do Novo Banco, justificando a decisão com a operação de troca de obrigações que integra a operação de venda do banco à Lone Star.

Moody's corta 'rating' do Novo Banco devido à troca de dívida ligada à venda

Lisboa, 05 abr (Lusa) – A agência de notação financeira Moody’s reviu em baixa o ‘rating’ da dívida sénior do Novo Banco, justificando a decisão com a operação de troca de obrigações que integra a operação de venda do banco à Lone Star.


Segundo a Moody’s, o corte do ‘rating’ da dívida sénior de longo prazo do Novo Banco para ‘Caa2’, sob revisão para nova descida, reflete a expectativa que os detentores de obrigações seniores do banco liderado por António Ramalho vão sofrer perdas com esta operação.


Em causa está a realização de “um exercício de gestão de passivos, sujeito a adesão dos obrigacionistas, que irá abranger as obrigações não subordinadas do Novo Banco e que, através da oferta de novas obrigações, permita gerar pelo menos 500 milhões de euros de fundos próprios elegíveis para o cômputo do rácio CET1” (‘common equity tier 1’), anunciado na última sexta-feira pelo Banco de Portugal.


A Moody’s assinalou que, como o ‘liability management exercise’ (LME), isto é, o exercício de gestão de passivos, envolvido na operação de venda do Novo Banco, “parece não incluir os depósitos avaliados” pela agência, decidiu não baixar o ‘rating’ de longo prazo dos depósitos do Novo Banco de ‘Caa1’.


“Porém, colocando-os em revisão para descida [do ‘rating’], a Moody’s reconhece o risco possível para estes depósitos em caso de as medidas anunciadas se mostrarem insuficientes para restaurar a viabilidade do banco”, sublinhou, considerando que tal “aumentaria o risco de uma resolução ou liquidação com perdas consequentes para os depositantes”.


Na sexta-feira passada (31 de março), o Banco de Portugal anunciou que foi alcançado um acordo com a Lone Star para a venda do banco.


O fundo norte-americano vai realizar injeções de capital no Novo Banco no montante total de 1.000 milhões de euros, dos quais 750 milhões de euros logo no fecho da operação e 250 milhões de euros até 2020.


“Por via da injeção de capital a realizar, a Lone Star passará a deter 75% do capital social do Novo Banco e o Fundo de Resolução manterá 25% do capital”, lê-se no comunicado do Banco de Portugal, então divulgado.



DN// ATR

By Impala News / Lusa