Mãe salva filho de 14 anos com doença terminal por lhe dar canábis às escondidas

Adolescente de 14 anos às portas da morte supera dois tipos de cancro graças a doses de canábis que a mãe lhe dava às escondidas. Conheça a história do rapaz que superou a morte por tomar drogas.

Com apenas 10 anos, o britânico Deryn Blackwell foi diagnosticado com leucemia. Depois do choque e da gravidade que é ter-se um cancro no sangue tão novo, dezoito meses depois, o rapaz e a sua família recebem outra má notícia: para além da leucemia, Deryn tem outro cancro secundário, um sarcoma de células de Langerhans. Este tipo de cancro é extremamente raro e apenas existe o registo de 50 casos no mundo de pessoas que sofrem desta enfermidade. A leucemia e o cancro raríssimo secundário fizeram de Deryn um caso único.

Passados quatro anos do seu primeiro diagnóstico, os médicos disseram à família do jovem, agora com 14 anos, que Deryn apenas teria mais uns dias de vida e que não havia mais nada que pudessem fazer. Para garantir que o rapaz não sofria com as dores insuportáveis, os médicos aconselharam também que nesses últimos dias Deryn passa-se a tomar opiáceos. Rapidamente, os pais viram o seu filho ficar dependente de morfina.

Do sofrimento à acção:

Perante esta situação, a mãe de Deryn, Callie Blackwell recusou-se a ver o filho passar por tudo aquilo e então começou a pesquisar incessantemente na Internet sobre as doenças. Depois de muita investigação, Callie encontrou um analgésico feito à base de canábis que ainda não estava disponível para compra legal no Reino Unido.

Depois de ter informado o médico dos frutos da sua pesquisa, embora este tenha dito que era provável que o analgésico tivesse efeito informou-a que nunca tinha sido testado em crianças e que por esses motivos, não era possível utilizar esse fármaco no seu filho.

Na angústia de verem o filho sofrer desesperado por morfina até ao final dos seus dias, ambos os pais decidiram atuar por conta própria e dar ao seu filho canábis às escondidas fossem quais fossem as consequências. Primeiro o pai de Deryn comprou a canábis a um dealer que lhe vendeu a “erva” numa bomba de gasolina. Depois mãe e pai juntos preparam a droga em casa, com uma panela de pressão seguindo as instruções de uma receita na Internet. Por fim, passaram o vaporizador às escondidas no quarto do hospital ao filho.

“Pensei: o que tenho a perder? Ele está a morrer de qualquer forma”, explicou a mãe no programa This Morning da ITV.

Como se dum milagre se tratasse, Deryn não morreu, antes pelo contrário, começou a demonstrar sinais de recuperação e melhoras. Apesar de ter sido um percurso difícil, hoje o rapaz de 10 anos a que foi prevista morte certa tem 17 anos, estuda e tem um trabalho em part-time. Segundo a mãe foi a administração de doses de canábis via oral que salvaram o seu filho e que existe uma relação directa entre a sua recuperação e esta droga.

De acordo com os especialista em oncologia contactados pela imprensa britânica este caso não prova nada sobre os efeitos da canábis no âmbito da saúde, até que haja provas cientificas oferecidas por ensaios clínicos.

“Tem havido muitos estudos sobre o efeito da canábis em células desenvolvidas em laboratórios, mas tem havido confusão, parece que teve efeitos diferentes em tipos diferentes de células cancerígenas. Podem ter sido várias coisas. Talvez a canábis tenha ajudado, talvez não”, garantiu a investigadora Emma Smith do Cancer Research UK ao The Independent.