Crise financeira de 2007 fez aumentar pobreza infantil em dois terços – Unicef
A crise financeira e económica que se seguiu à falência do Lehman Brothers em 2007 resultou num aumento da pobreza infantil na Europa na ordem dos dois terços, de acordo com um relatório da Unicef.
Redação, 13 abr (Lusa) — A crise financeira e económica que se seguiu à falência do Lehman Brothers em 2007 resultou num aumento da pobreza infantil na Europa na ordem dos dois terços, de acordo com um relatório da Unicef divulgado hoje.
Este aumento ao longo da última década foi mesmo superior a 15 pontos percentuais no Chipre, na Islândia e na Grécia e entre sete e nove pontos percentuais na Hungria, Itália e Espanha.
O estudo “Crianças da austeridade: O impacto da Grande Recessão na pobreza infantil em países ricos”, da responsabilidade do Centro de Investigação – Innocenti da UNICEF, em colaboração com 16 instituições de investigação internacionais, dá conta dos efeitos da crise e das respetivas respostas políticas dos governos nas crianças em países de rendimento elevado.
O estudo apresenta uma perspetiva comparativa nos 41 países da OCDE e da UE e uma análise detalhada sobre onze países.
“Nos países ricos, muitas crianças foram gravemente afectadas pela crise económica global, com a pobreza infantil — comparativamente a níveis pré-crise — a aumentar em muitos países”, afirmou num comunicado enviado às redações Yekaterina Chzhen, do Centro Innocenti e que é também coeditora da publicação e autora principal do capítulo comparativo.
“Este é o primeiro estudo internacional sobre os efeitos da crise e as respostas dos governos que coloca o enfoque nas crianças nos países ricos”, afirmou.
De acordo com o estudo, os gastos com as famílias e as crianças na Europa “baixaram quando eram mais necessários. Nenhum país europeu aumentou os gastos em benefícios para as famílias e dois terços reduziram as despesas per capita, enquanto os gastos em pensões aumentaram em toda a amostra entre 2010 e 2013”.
Na área da Saúde, as taxas de “necessidades de saúde não satisfeitas” aumentaram significativamente nos agregados familiares mais pobres em todos os países da amostra, e em particular, na Grécia e em Espanha.
A crise e a austeridade acentuaram, por outro lado, grandes disparidades entre regiões.
“A pobreza infantil ‘fixada no tempo’ aumentou 20 por cento no norte de Itália e 50 por cento no sul do país entre 2008 e 2014; no Reino Unido, a taxa de pobreza infantil na Irlanda do Norte subiu de 23 para 27 por cento, enquanto desceu 2-4 pontos na Escócia, em Inglaterra e no País de Gales”, refere o comunicado.
Em contrapartida, a pobreza infantil nos Estados Unidos não subiu tanto quanto se esperava. Apesar de um aumento do desemprego para quase o dobro, verificou-se apenas um aumento marginal da pobreza infantil nos EUA.
“Uma maior generosidade e cobertura da rede de segurança social durante a crise amorteceram o impacto desta nas famílias com crianças”, concluiu o trabalho.
“Proteger o rendimento familiar em tempo de recessão é essencial para combater a pobreza infantil, mas por si só não chega. As crianças são também duramente afectadas quando há cortes nos gastos com escolas e equipamentos de saúde, e quando os pais não conseguem aceder a serviços essenciais, como os cuidados infantis,” afirmou Yekaterina Chzhen.
“A mensagem desta publicação é que, para proteger as crianças em tempos bons e em tempos maus, os governos devem dar prioridade a uma conjugação de apoio universal em termos de rendimentos, baseada na segurança social e testada, com despesas de saúde e educação direccionadas para os que mais precisam”, acrescentou a coautora do trabalho.
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By Impala News / Lusa