Comissário Carlos Moedas destaca em Beja bom aproveitamento de ajudas à inovação
Portugal pode chegar a 2020 com quase mil milhões de euros em ajudas para a inovação e ciência, o dobro do que conseguiu no passado, disse em Beja o comissário europeu para o setor, Carlos Moedas.
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Beja, 28 abr (Lusa) – Portugal pode chegar a 2020 com quase mil milhões de euros em ajudas para a inovação e ciência, o dobro do que conseguiu no passado, disse hoje em Beja o comissário europeu para o setor, Carlos Moedas.
O programa de ciência Horizonte 2020 (de quase 80 mil milhões de euros), que é dirigido pelo comissário português, já atingiu mais de 360 milhões de euros, disse o responsável na feira da agricultura Ovibeja, onde hoje começou a iniciativa Roteiro da Ciência dedicado ao Alentejo, em quarta edição (depois de Coimbra, Funchal e Minho).
Para o Alentejo, disse, há 29 projetos, no Horizonte 2020, nas áreas da água e da alimentação, que, segundo Moedas, são duas áreas importantes para o planeta, cuja densidade populacional está a aumentar para “dez mil milhões em 2050”.
“É preciso perceber como é que os vamos alimentar, é preciso conseguir perceber como é que o vamos fazer e o que lançámos aqui foi a ideia de que temos de conseguir produzir mais com os recursos que temos, e como é que vamos encontrar ciência e inovação para conseguir produzir mais sem destruir os nossos recursos”, disse o comissário.
O comissário, com os ministros da Ciência e Agricultura, Manuel Heitor e Capoulas Santos respetivamente, participou numa conferência, organizada pelo Politécnico de Beja.
Capoulas Santos salientou a necessidade de otimizar recursos e de diversificar fonte de financiamento para atingir os objetivos do Governo, reduzir as importações de produtos agroalimentares, com Portugal a ter um défice de 13 mil milhões de euros.
O país está no bom caminho, disse o ministro, esclarecendo que as exportações agroalimentares tiveram um crescimento de 15,7% em janeiro.
E a mostrar a importância do país no setor disse Capoulas Santos que Portugal vai organizar em outubro (dias 11 e 12), uma cimeira mundial de agroinovação.
Na conferência de hoje debateram-se os desafios e oportunidades da ligação politécnicos-agricultura, que podem passar por exemplo, como explicou Ana Paula Vale, do comité coordenador dos institutos politécnicos, transferir tecnologias para os agricultores, otimizar a produção ou conservar e valorizar recursos.
Investigação na área da agricultura orgânica, otimização da produção do queijo da serra da estrela, revitalização de plantas aromáticas e medicinais no Gerês, lutar contra o declínio das abelhas ou recuperar águas para o plantio do tomate são algumas das áreas de em que se está a trabalhar, disse a responsável.
Na conferência falou-se também do projeto PRIMA, de soluções inovadoras na agroindústria, alimentação e sistemas de água, para um crescimento e utilização sustentável dos recursos naturais.
Moedas fez questão de frisar a importância da agricultura e da água, lembrando que “hoje muitas vezes o incentivo dos políticos e dos países é gastar mais, consumir mais e ter mais desperdício”, quando na verdade a economia tem de passar a ser circular e tem que se “aproveitar os subprodutos” da economia.
“A mensagem que quis deixar foi de que tanto alimentação como água são os dois pontos fundamentais em termos de políticas de inovação do que vamos fazer no futuro”, disse Carlos Moedas.
FP // HB
By Impala News / Lusa