Christie’s satisfeita com revogação do contrato de venda de quadros de Joan Miró

A leiloeira Christie’s mostrou-se satisfeita com o acordo a que chegou com as autoridades portuguesas para revogar o contrato de venda em leilão da coleção de 85 obras do pintor Joan Miró.

Christie's satisfeita com revogação do contrato de venda de quadros de Joan Miró

Londres, 06 mar (Lusa) – A leiloeira Christie’s mostrou-se hoje satisfeita com o acordo a que chegou com as autoridades portuguesas para revogar o contrato de venda em leilão da coleção de 85 obras do pintor Joan Miró.


“A Christie’s está satisfeita por o assunto ter sido resolvido e encerrado”, disse uma porta-voz à agência Lusa, escusando-se a fazer outros comentários.


O Ministério das Finanças anunciou hoje que as empresas Parvalorem e Parups chegaram a acordo com a leiloeira Christie’s para revogar o contrato de venda em leilão da coleção de 85 obras do pintor Joan Miró.


O leilão das obras chegou a ter data marcada, para fevereiro de 2014, mas a leiloeira Christie’s cancelou, devido a uma providência cautelar interposta nos tribunais portugueses pelo Ministério Público (MP) para suspensão das deliberações e atos referentes à alienação das obras de Miró


Na altura, a Christie’s previa encaixar acima dos 30 milhões de libras, o que, ao câmbio atual, ascenderia aos 42 milhões de euros.


De acordo com um comunicado divulgado pelo Ministério das Finanças, a revogação do contrato, que determinava a venda da coleção num leilão internacional, “não dá lugar ao pagamento de quaisquer indemnizações”.


As sociedades de capitais públicos Parvalorem e Parups foram criadas em 2010 pelo Estado para gerir os ativos e recuperar os créditos do ex-Banco Português de Negócios, nacionalizado em 2008, e que detinha a chamada Coleção Miró.


A revogação do contrato estava a ser negociada desde que o atual Governo decidiu manter o conjunto de obras de Joan Miró (1893-1983) em Portugal, anunciada no final de 2015, pelo então ministro da Cultura, João Soares, em Serralves, no Porto, onde a coleção se encontra em permanência.


Após três anos de polémicas, desde o anúncio de que a coleção seria vendida, em leilão, pela Christie’s, no início de 2014, passando pela petição contra a saída das obras de Portugal, o seu debate no parlamento e os processos apresentados em Tribunal, que ainda correm, a leiloeira aceitou revogar o contrato da venda.


Tinha sido o Governo anterior, liderado por Passos Coelho, a abrir um concurso internacional, para a venda das obras, tendo selado um acordo com a Christie’s para leiloar a coleção e reaver parte dos créditos do ex-BPN, sustentada pelo argumento de que o conjunto de obras de arte não era prioritário para as coleções dos museus nacionais.


Por seu turno, os partidos da oposição, em particular o PS, o PCP e o BE, defenderam a manutenção das obras no país, e a sua classificação como património nacional.


Nos termos do contrato entre as empresas que representam o Estado e a leiloeira Christie’s, a expectativa era que a coleção seria vendida por um valor mínimo de 35,5 milhões de euros, ou um valor máximo de 54,3 milhões de euros para recuperar créditos do ex-BPN.


Ao longo dos três anos, o percurso polémico da coleção Miró, composta por 85 obras de arte, sobretudo de pintura, ficou marcado pelo debate político, no parlamento, pelos processos judiciais – com duas ações principais e duas providências cautelares ainda em curso – e pelo adiamento do leilão programado para Londres pela Christie’s, por duas vezes.


A leiloeira acabou por desistir de fazer o leilão, concluindo que as incertezas jurídicas criadas em Portugal punham em perigo a venda das obras de forma segura e as empresas Parvalorem e Parups recusaram a exposição pública da coleção Miró, invocando as questões judiciais pendentes.



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By Impala News / Lusa