Apenas um quinto dos clientes de banco liquidado em Moçambique exigiu reembolsos

Apenas 21% dos 5.085 clientes elegíveis para os reembolsos do Nosso Banco, liquidado em novembro pelo órgão regulador de Moçambique, exigiram os reembolsos previstos pelo Fundo de Garantia e Depósitos.

Apenas um quinto dos clientes de banco liquidado em Moçambique exigiu reembolsos

Maputo, 17 jan (Lusa) – Apenas 21% dos 5.085 clientes elegíveis para os reembolsos do Nosso Banco, liquidado em novembro pelo órgão regulador de Moçambique, exigiram os reembolsos previstos pelo Fundo de Garantia e Depósitos.


Do valor disponível de 15,6 milhões de meticais (206 mil euros) para os reembolsos, foram pagos 54,6% desde o início do processo, a 21 de novembro, segundo um comunicado do Banco de Moçambique enviado à Lusa.


O banco central avisa que o prazo para o pagamento do Fundo de Garantias de Depósitos expira a 09 de fevereiro e apela aos clientes lesados para que se dirijam aos balcões em tempo útil, “para evitar aglomerações no final do processo”.


O Banco de Moçambique determinou a 11 de novembro a dissolução e liquidação do Nosso Banco, detido pelo Instituto Nacional de Segurança Social, e que apresentava uma “situação inviável”, tendo sido acionado o Fundo de Garantia de Depósitos.


Segundo o órgão regulador do sistema bancário, a instituição financeira foi incapaz de cumprir o plano de reestruturação delineado em 2014, que implicou uma recapitalização e alteração da estrutura da administração.


“Não foi possível a recuperação da situação financeira e prudencial deficitária em que a instituição se encontra, pondo em risco os interesses dos depositantes e demais credores, bem como o normal funcionamento do sistema bancário”, afirmou o Banco de Moçambique.


A ativação do Fundo de Garantia de Depósitos apenas tornava elegíveis os clientes de pessoas singulares residentes em território nacional e em moeda nacional, num limite de reembolso de 20 mil meticais (265 euros ao câmbio atual).


O Nosso Banco nasceu em 1999 como BMI-Banco Mercantil e de Investimentos, tendo alterado a sua designação em 2015.


Apesar de se tratar de uma entidade privada, a maioria de capital pertence ao Instituto Nacional de Segurança Social (77%), sendo também acionistas a empresa pública Eletricidade de Moçambique (15%) e a SPI – Gestão de Investimentos, uma sociedade ligada a figuras de topo da Frente de Libertação de Moçambique (Frelimo), partido no poder.


A liquidação do Nosso Banco aconteceu dois meses apenas após o Banco de Moçambique ter afastado o conselho de administração e a comissão executiva do Moza, para “proteger os interesses dos depositantes”, e assumido a gestão da empresa, com vista a recapitalizá-la ou prepará-la para venda.


Ao contrário do Nosso Banco, que mantinha apenas pouco mais de cinco mil depositantes particulares e 900 empresas e uma quota de ativos de 1% do sistema bancário, o Moza possui mais de 93 mil clientes particulares e oito mil empresas e uma quota de 7,71%, sendo o quarto maior banco moçambicano, com 48 agências em praticamente todo o país.


De acordo com o banco central, à exceção do Nosso Banco e do Moza, os restantes bancos a operar no país mantêm uma média de rácios de solvabilidade de 14%, muito acima dos 8% exigidos pelo órgão supervisor.



HB // VM

By Impala News / Lusa