Mecachrome Aeronáutica quer instalar em Évora processo criogénico inovador

A Mecachrome Aeronáutica vai produzir peças para motores e para a estrutura de aviões na fábrica em Évora, prevista arrancar neste 1.º trimestre, na qual pretende instalar um processo produtivo criogénico inovador, em 2018.

Mecachrome Aeronáutica quer instalar em Évora processo criogénico inovador

Évora, 29 jan (Lusa) — A Mecachrome Aeronáutica vai produzir peças para motores e para a estrutura de aviões na fábrica em Évora, prevista arrancar neste 1.º trimestre, na qual pretende instalar um processo produtivo criogénico inovador, em 2018.


Na fase de arranque da produção, revelou à agência Lusa o diretor da fábrica alentejana, Christian Santos, vão ser feitas “peças para motores de aviões” e, mais “para o final do ano”, numa 2.ª fase, começa o fabrico de “peças da estrutura do avião”.


“Vão ser peças maquinadas”, ou seja, peças metálicas feitas em “máquinas sofisticadíssimas”, que estão agora a ser instaladas e ajustadas na fábrica, disse.


As peças vão equipar “o reator de um dos aviões que mais vemos no céu, porque estamos a falar dos motores do A320”, da Airbus, revelou o diretor, acrescentando que, no que toca à estrutura do avião, vão ser feitas peças para “a ligação da asa ao reator”.


A produção, indicou, destina-se à exportação: “Vendemos as peças dos motores ao fabricante de motores”, que, “no nosso caso, é a Safran”, mas “tudo acaba, de qualquer forma, nos fabricantes de aviões, seja a Airbus, a Boeing, a Embraer, a Bombardier ou outros”.


“São peças de alta precisão, não temos margem de erro. Lá em cima, não podemos pôr o pisca-pisca e parar numa nuvem”, disse Christian Santos.


Na unidade alentejana, a empresa pretende adotar um processo produtivo criogénico – à base de azoto líquido – que diz ser “único no mundo” e que está a ser concebido no centro de desenvolvimento (I&D) do grupo Mecachrome em França.


Christian Santos explicou que, tradicionalmente, a maquinação de componentes metálicos é feita a seco ou com a injeção de óleo ou de uma mistura de água e óleo, para “facilitar o corte e arrefecer a peça e a ferramenta”. Mas a criogenia, com azoto líquido a uma temperatura “super baixa”, vai permitir “acelerar a velocidade do corte”, sem aquecer os materiais.


O processo para fabricação de uma peça típica na Mecachrome demora “oito horas”, mas, “com o processo de criogenia, podemos chegar a ganhar um 30 a 50%” de tempo em algumas operações, revelou Christian Santos.


“É um processo novo, não podemos ir comprar uma máquina, não existem ainda coisas fiáveis e robustas” para integrar na produção, afirmou, sublinhando que, por isso, a empresa está “a desenvolver maquinação criogénica” e quer “fiabilizar o processo para trazê-lo para Portugal”.


Escusando-se a revelar muito sobre o projeto, para “não divulgar segredos”, Christian Santos admitiu, contudo, que o novo processo criogénico possa vir a ser instalado em Évora no próximo ano.


A empresa portuguesa, pertencente ao grupo francês Mecachrome, já possui outra fábrica em Setúbal e o investimento na nova unidade de Évora, no Parque de Indústria Aeronáutica da cidade (PIAE), ronda os 30 milhões de euros.


Com uma área de quase 22 mil metros quadrados, o projeto abrange duas fases de construção: a atual, com 13.500 metros quadrados, e uma segunda etapa, em que a fábrica será ampliada para mais 9.300 metros quadrados.


Já com cerca de 30 trabalhadores, a empresa está em processo de recrutamento e espera “terminar o ano, talvez, com 70 a 80” pessoas. A meta, até 2020, disse o diretor, é chegar aos “cerca de 250 a 300” trabalhadores, a maioria oriunda do centro de formação aeronáutica de Évora do Instituto do Emprego e Formação Profissional.


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By Impala News / Lusa