“Devem separar-se as águas” entre extensão da vida dos aviões e avarias – ANAC
O presidente da Autoridade Nacional de Aviação Civil afirmou que se “devem separar as águas” sobre extensões da vida útil dos aviões e avarias em peças, a propósito de um incidente hoje com um aparelho da TAP.
Lisboa, 14 fev (Lusa) — O presidente da Autoridade Nacional de Aviação Civil (ANAC) afirmou que se “devem separar as águas” sobre extensões da vida útil dos aviões e avarias em peças, a propósito de um incidente hoje com um aparelho da TAP.
“Temos que separar as águas. Uma questão é a certificação de que o avião pode ter as suas horas de operações estendidas, que é dada pelo fabricante, e a única coisa que nós verificámos foi que todas as operações de manutenção a montante (…) foram efetivamente cumpridas pela TAP”, começou por explicar Luís Silva Ribeiro, à agência Lusa.
O presidente da ANAC acrescentou que “outra coisa é uma avaria de um motor” e que os “motores são peças completamente autónomas” e sujeitas a “contratos de gestão completamente autónomos”.
O avião da TAP com destino a São Paulo, no Brasil, que hoje teve que regressar ao aeroporto Humberto Delgado, em Lisboa, é um dos quatro aviões A340-300 que em julho receberam autorização para prolongar a vida útil.
Para o responsável da ANAC, um “acontecimento de manutenção com um motor” não tem reflexo direto com a “avaliação sobre a aeronavegabilidade do próprio avião”.
“É o mesmo que dizer que uma peça que tem uma garantia nunca terá qualquer defeito”, resumiu o responsável, a propósito do incidente do voo TP89, que estava a ser operado por um dos quatro aviões A340-300 da companhia aérea portuguesa TAP, que em julho de 2016 foram objeto de uma autorização pela ANAC para extensão da vida útil.
Em 12 de julho, a TAP solicitou à ANAC a isenção da obrigatoriedade de modificações de componentes, com vista à continuação da operação dos aviões até aos 31.000 ciclos de voo e 156.000 horas de voo, que atingiriam “a breve trecho” as 100.000 horas de voo, valor que corresponde ao limite da vida útil, o que foi autorizado em 13 de julho.
Conforme a Lusa noticiou em 25 de janeiro, a Agência Europeia para a Segurança na Aviação (EASA) disse que não recebeu quaisquer documentos ou informação da ANAC sobre esta autorização”, acrescentando que iria contactar o regulador nacional “de modo a proceder a uma investigação mais aprofundada sobre o assunto”.
Esta terça-feira, o presidente da ANAC referiu à Lusa ser um “procedimento normal” o envio de informação à agência europeia sobre as extensões que concede e que já o fez, estando o processo a “decorrer com toda a normalidade”.
“É um processo de análise e notificação, não é uma investigação. Não existe uma ocorrência que obrigue a uma investigação. É um ato de rotina”, garantiu Luís Silva Ribeiro, precisando que coube à ANAC validar “todas as ações de manutenção que eram da responsabilidade da própria TAP”.
Essas ações da companhia aérea portuguesa, segundo a mesma fonte, eram uma “condição essencial para a extensão concedida pelo próprio fabricante ser válida”.
“O problema deste caso concreto é que eram quatro aviões com tempos de voo diferentes. E, portanto, esperou-se até ao último avião para se dar conta do processo junto da EASA”, acrescentou.
O presidente da ANAC referiu que essa informação já foi dada e que, até ao momento, não houve “qualquer tipo de questão” da autoridade europeia, pelo que admite que o “processo esteja a decorrer com toda a normalidade”.
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By Impala News / Lusa