Desde 2010 que bancos angolanos não recebiam tão poucas divisas

O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu aos bancos comerciais angolanos uma média mensal de divisas de pouco mais de mil milhões de euros em 2016, o valor mais baixo dos últimos seis anos, segundo números compilados hoje pela Lusa.

Desde 2010 que bancos angolanos não recebiam tão poucas divisas

Luanda, 20 jan (Lusa) – O Banco Nacional de Angola (BNA) vendeu aos bancos comerciais angolanos uma média mensal de divisas de pouco mais de mil milhões de euros em 2016, o valor mais baixo dos últimos seis anos, segundo números compilados hoje pela Lusa.


A informação resulta da análise a dados do BNA, que indicam que durante todo o ano foram injetadas nos bancos comerciais, vendidas pelo banco central, divisas no valor superior a 9.262 milhões de euros, além de 730,1 milhões de dólares (686,4 milhões de euros).


Em média, os bancos receberam por mês cerca de 1.070 milhões de euros em divisas, valor influenciado sobretudo pelo segundo semestre de 2016, que concentrou dois terços de todas as vendas do banco central.


Trata-se de uma quebra de cerca de 22% face às divisas injetadas diretamente pelo BNA no ano de 2015 e 30% em relação a 2013, ano em que os bancos comerciais receberam o valor máximo de moeda estrangeira, equivalente a 1.500 milhões de euros todos os meses, além das compras que então eram feitas diretamente aos clientes, como as petrolíferas.


É preciso recuar ao ano de 2010 para encontrar um valor inferior de divisas vendidas pelo BNA aos bancos, que se cifrou então, em média, por mês, nos 967,7 milhões de dólares (909 milhões de euros).


A situação reflete o facto de bancos internacionais terem fechado o acesso das instituições angolanas a divisas em 2016, por falhas no cumprimento de regras de ‘compliance’, pelo que o BNA tornou-se no único fornecedor de moeda estrangeira e exclusivamente em euros.


Além disso, Angola enfrenta uma crise financeira e económica devido à forte quebra das receitas com a exportação de petróleo, face à redução da cotação internacional do barril de crude. O petróleo garantiu 94% das exportações em 2016, pelo que essa quebra também reduziu fortemente a entrada de divisas em Angola.


“O choque sistémico da queda do preço foi muito forte nas receitas públicas. Sublinhe-se que, só em 2015, a redução do preço do petróleo terá provocado uma quebra de quase seis mil milhões de dólares na receita fiscal”, reconheceu, a 17 de outubro último, no anual discurso sobre o estado da Nação, o Presidente da República.


“O executivo, para garantir os pressupostos básicos necessários ao desenvolvimento, teve de adotar uma política de estabilidade e regulação macroeconómica que lhe permitiu aprimorar a condução coordenada da política fiscal, monetária, cambial e de rendimento e preços, acentuando o papel da Programação Financeira”, disse ainda José Eduardo dos Santos.


A conjuntura nacional levou a uma forte quebra na entrada de divisas no país e a limitações no acesso a moeda estrangeira aos balcões dos bancos, dificultando as importações.



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By Impala News / Lusa