Bancos tem até 2046 para pagar empréstimos ao Fundo de Resolução

As condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução foram revistas e o prazo de pagamento dos reembolsos alargado para dezembro de 2046, avança um comunicado do gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno.

Bancos tem até 2046 para pagar empréstimos ao Fundo de Resolução

Lisboa, 21 mar (Lusa) – As condições do empréstimo do Estado ao Fundo de Resolução foram revistas e o prazo de pagamento dos reembolsos alargado para dezembro de 2046, avança um comunicado do gabinete do ministro das Finanças, Mário Centeno.


O documento anuncia que as condições dos empréstimos concedidos pelo Estado ao Fundo de Resolução “foram alteradas” e que foi alargada para cerca de 30 anos a maturidade dos empréstimos, relativos à injeção de 3.900 milhões de euros pelo Tesouro para a resolução do BES e capitalização do Novo Banco em agosto de 2014 e de 489 milhões de euros na intervenção no Banif, dos quais 136 milhões de euros já foram reembolsados.


A revisão em causa permitirá que o pagamento anual por parte dos bancos possa ser realizado com receitas da contribuição ordinária e da contribuição sobre o setor bancário, “mantendo-se o esforço de contribuição dos bancos ao nível atual”, sem serem necessárias quaisquer contribuições extraordinárias pelo setor bancário.


O Governo diz que, em termos gerais, a taxa de juro a aplicar aos empréstimos “teve por base o custo de financiamento da República Portuguesa”, ao que se junta uma comissão, que será “periodicamente atualizada de forma compatível com o indexante a considerar” e permitirá “manter as condições de solvabilidade do Fundo de Resolução”.


O comunicado do gabinete de Mário Centeno sublinha que a revisão dos empréstimos permite assim que “seja assegurado o pagamento integral das responsabilidades do Fundo de Resolução”, reforçando que fica garantida a respetiva remuneração, sem se ter de recorrer a contribuições especiais ou a qualquer outro tipo de contribuições extraordinárias por parte do setor bancário.


“Até à data, o Estado recebeu do Fundo de Resolução o pagamento de 270 milhões de euros a título de juros e de 136 milhões de euros a título de reembolso antecipado parcial de um dos empréstimos do Estado”, lê-se na nota.


O documento acrescenta ainda que a revisão dos termos dos contratos contou com o acordo da Comissão Europeia e permite reduzir a incerteza face às responsabilidades anuais dos bancos no futuro, independentemente das contingências que venham a recair sobre o Fundo de Resolução.


O Fundo de Resolução português iniciou a sua atividade em 2012.


Além de terem de contribuir para o Fundo de Resolução nacional, os bancos portugueses contribuem ainda para o fundo de resolução único europeu, ao abrigo do Mecanismo Único de Resolução.




JMG // JNM

By Impala News / Lusa