Américo Ramos declara-se novo líder da ADI, após congresso contestado pela direção do partido

O primeiro-ministro são-tomense Américo Ramos declarou-se hoje novo líder da Ação Democrática Independente (ADI), após um congresso contestado pela direção do partido liderado pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada.

Américo Ramos declara-se novo líder da ADI, após congresso contestado pela direção do partido

“Tendo havido já uma decisão do Tribunal Constitucional através do acórdão, era necessário fazer um congresso dentro do prazo estipulado […] não tendo sido feito [pela direção do partido], decidimos, a maioria de militantes e delegados aos congressos, e conselheiros do Conselho Nacional reunimo-nos aqui para realizar”, disse Américo Ramos.

O declarado V Congresso Extraordinário da ADI foi realizado à margem da direção do partido, com a cobertura exclusiva da Televisão Santomense (TVS).

“Eu desde a primeira hora manifestei, desde novembro, [do ano passado] como candidato à liderança do partido por isso é que o fizemos e eu venci porque era a única lista”, declarou.

Na sexta-feira a direção da ADI, liderada por Patrice Trovoada pediu ao Tribunal Constitucional que proíba o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos, e os seus apoiantes de realizar reuniões com militantes do partido.

“Nós estamos a pedir que os tribunais travem estas reuniões, quer seja o congresso ou as reuniões que eles fazem aqui, inclusive exibindo os símbolos do partido, que isto é totalmente errado, contra a lei, isto é ilegal”, disse o porta-voz da ADI, Alexandre Guadalupe após a entrega de uma providência cautelar no TC.

No mês de março o TC aceitou uma providência cautelar apresentada pelo grupo que apoia Américo Ramos e impediu a realização de um Conselho Nacional organizado pela direção da ADI, presidida pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, que pretendia adiar o congresso eletivo agendado para abril, mas que não aconteceu.

Num acórdão de 28 de maio, o Tribunal Constitucional ordenou a ADI a convocar o congresso num prazo não superior a 30 dias, mas o presidente do partido, Patrice Trovoada declarou que não acataria a decisão.

Após o congresso de hoje, Américo Ramos disse tem todas as condições para ser conhecido pelo TC como novo presidente da ADI.

“Nós vamos fazer as coisas de acordo com a lei, com o estatuto. Vamos enviar os documentos todos ao Tribunal Constitucional e achamos que há todas as condições criadas para que o Américo Ramos e a sua equipa seja legitimamente a nova direção do ADI”, disse Américo Ramos.

O político prometeu mudanças na ADI, sobretudo para tornar o partido “mais inclusivo e mais democrático”.

“Nós queremos abrir as portas do ADI, queremos tornar um ADI que consegue incluir todos os militantes […] o ADI cessante é um AD que exclui os seus militantes, quem tiver opinião contrária, quem contestar a posição do líder é posto pura e simplesmente de fora da atividade do ADI e nós queremos evitar isso”, prometeu.

A crise interna da ADI agudizou-se após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025 pelo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova que rejeitou vários nomes propostos pelo partido e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido, Américo Ramos contra a indicação da direção da ADI.

Desde então o partido demarcou-se do Governo, e rompeu posteriormente com os seus elementos que o integraram.

São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e legislativas, autárquicas e regional em 27 de setembro.

 

JYAF // SF

By Impala News / Lusa

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