Rei de Marrocos diz que fracassará qualquer tentativa de liderança nacional em África

O rei de Marrocos, Mohammed VI, avisou na sexta-feira que qualquer tentativa de exercer uma liderança nacional em África está “condenada ao fracasso”, defendendo “união e solidariedade para alcançar um desenvolvimento inclusivo” em todo o continente.

Rei de Marrocos diz que fracassará qualquer tentativa de liderança nacional em África

Marraquexe, Marrocos, 08 abr (Lusa) – O rei de Marrocos, Mohammed VI, avisou na sexta-feira que qualquer tentativa de exercer uma liderança nacional em África está “condenada ao fracasso”, defendendo “união e solidariedade para alcançar um desenvolvimento inclusivo” em todo o continente.


“Qualquer tentação de exercer uma liderança nacional em África está condenada ao fracasso. Esta visão deve ser abandonada definitivamente em benefício da promoção dos interesses comuns, do esforço coletivo e da cooperação benéfica para todos”, defendeu o monarca marroquino, numa mensagem lida pelo conselheiro do rei, André Azoulay, na sexta-feira à noite, na cerimónia de arranque do “Fim de Semana da Governação Ibrahim”, que decorre até domingo em Marraquexe.


Antes, o rei recordou que o encontro anual promovido pela Fundação Mo Ibrahim ocorre “após o histórico regresso do reino ao seio da sua família institucional, a União Africana, e o pedido de adesão, apoiado pelos seus parceiros, à Comunidade Económica dos Estados da África Ocidental” (CEDEAO), numa referência muito aplaudida pelo auditório.


Marrocos regressou este ano à União Africana, que tinha abandonado em 1984 em desacordo com o controverso processo do Saara Ocidental.


“Unidos e solidários, venceremos a batalha do desenvolvimento inclusivo. Caso contrário, continuaremos a trabalhar, com mais ou menos sucesso, dentro das nossas fronteiras nacionais, sem jamais alcançar os desafios que poderíamos atingir juntos”, considerou.


O rei sublinhou que África não é, “de forma alguma, uma ameaça, nem para si nem para os outros”, mas antes o contrário: “Representa um promissor espaço de desenvolvimento sustentável, aberto a todas as cooperações”.


Mohammed VI sustentou ainda que os países africanos estão comprometidos com os valores universais, mas defendeu que os modelos de governação “não podem ser importados ou impostos”.


“Uma governação ótima do nosso continente deveria resultar de uma combinação acertada e coerente entre a adaptação de experiências exteriores, renovados modos de atuação internos e práticas inovadoras à escala continental”, referiu.


O encontro em Marraquexe reúne líderes políticos, responsáveis de organizações multilaterais e regionais e representantes do mundo empresarial e da sociedade civil e pretende debater o tema “África num ponto de viragem”.


A Fundação Mo Ibrahim dedica-se há dez anos a promover a liderança e a boa governação em África, e publica anualmente o Índice Ibrahim de Governação Africana, que recolhe mais de cem indicadores sobre todos os países africanos. A organização também atribui prémios de excelência na governação africana, tendo já distinguido o antigo Presidente sul-africano Nelson Mandela ou os ex-Presidentes Joaquim Chissano (Moçambique) ou Pedro Pires (Cabo Verde).



JH // ARA

By Impala News / Lusa