Governo de Cabo Verde promete melhorar condições nas cadeias do país

O Governo cabo-verdiano garantiu hoje que está a criar um “novo paradigma” para melhor as condições de funcionamento nas cadeias, que passa não só pela situação dos reclusos, mas também pela dos agentes prisionais.

Governo de Cabo Verde promete melhorar condições nas cadeias do país

Praia, 21 dez (Lusa) – O Governo cabo-verdiano garantiu hoje que está a criar um “novo paradigma” para melhor as condições de funcionamento nas cadeias, que passa não só pela situação dos reclusos, mas também pela dos agentes prisionais.

A garantia foi dada pelos ministros da Justiça e Trabalho, Janine Lélis, e da Saúde e Segurança Social, Arlindo do Rosário, no âmbito de uma atividade de Natal com familiares e reclusos da Cadeia Central da Praia, a maior do país.

Os dois governantes reagiam às conclusões da avaliação ao país do comité das Nações Unidas contra a Tortura, divulgadas no início do mês, e que apontam abusos sobre detidos, elaboração de “perfis raciais”, cadeias sobrelotadas e um sistema judicial sobrecarregado e sem meios.

A ministra Janine Lélis reconheceu que a situação das cadeias cabo-verdianas “é difícil”, mas garantiu que o Governo está a “fazer diferente” e a criar um “novo paradigma”, que passa não só pela melhoria das condições dos reclusos, mas também pela dos agentes prisionais.

“Os problemas existem, encontramos os problemas e é nossa responsabilidade encará-los, trabalhar para resolvê-los, não escamoteá-los ou fingir que não existem”, afirmou a ministra.

Relativamente à sobrelotação nas prisões, a governante disse que é uma realidade vivida em Cabo Verde e em muitos outros países, pelo que a preocupação do executivo é melhorar as condições, porque não está previsto no Orçamento do Estado a construção de novas cadeias.

A ministra disse também que o Governo está a trabalhar para reforçar o sistema de execução de penas, para garantir que haja formas de cumprimento de penas alternativas, esperando contar com a participação de todos, desde família, sociedade, empresas.

“É difícil um recluso retomar e muitas das vezes a grande dificuldade está em ele não ter oportunidade lá fora e tem um estigma”, disse, apontando a importância da reinserção social.

A falta de guardas prisionais e de mecanismos de vigilância foram outros aspetos apontados pelo relatório sobre as cadeias cabo-verdianas, problemas que levaram os guardas prisionais a ameaçar com uma greve.

A ministra das Justiça lembrou que o Governo está em funções há oito meses, mas que tem “energia e vontade” de mudar a situação que encontrou.

“Estamos a trabalhar e estamos a fazer. É normal e natural que haja reivindicação porque há muitas expetativas frustradas e acumuladas. Mas há um tempo para as coisas serem feitas”, afirmou.

Lembrando que neste ano foram contratados novos 30 guardas prisionais, a ministra informou que em 2017 serão contratados mais 20 para aliviar a sobrecarga de trabalho e que o novo fardamento já está a ser confecionado.

A avaliação do comité da ONU, que trabalhou apenas com base no relatório da Comissão Nacional de Direitos Humanos e Cidadania (CNDHC), apontou ainda dificuldades de acesso dos detidos a serviços de saúde em Cabo Verde, país que aderiu à convenção da ONU em 1993.

O ministro da Saúde e da Segurança Social, Arlindo do Rosário, informou que será apresentada na quinta-feira em Conselho de Ministros uma comissão que irá trabalhar para tomar medidas integradas, como reforço da prevenção, tratamento, acompanhamento e reinserção dos reclusos.

Cabo Verde esteve em avaliação pelos membros do Comité Contra a Tortura a 26 de novembro, não tendo apresentado qualquer relatório sobre o assunto, nem enviado uma delegação para participar na sessão.

A situação mereceu a condenação do comité, que considerou não ser assim possível obter informações sobre as medidas que o país tem tomado para implementar a referida convenção.

Mas o Governo cabo-verdiano já assegurou que dentro de meio ano estará em condições de entregar nas Nações Unidas um relatório sobre a situação da tortura no país.

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