Casados à Primeira Vista A inacreditável história de vida de Micael: “Os meus pais apagavam beatas de cigarro na minha barriga”
Um dos concorrentes da nova edição de Casados à Primeira Vista teve uma infância deveras marcante e extremamente dura.
O segredo que marcou o arranque desta sétima temporada de Casados à Primeira Vista tem um nome: Micael. Aos 37 anos, o concorrente revelou ter sido adotado, mas por trás dessa história simples esconde-se um percurso de sofrimento cujas marcas continuam vivas até hoje.
Retirado aos pais biológicos com apenas ano e meio de vida, na sequência de uma série de maus tratos, Micael carrega ainda hoje sinais físicos desse período. “Tenho uma cicatriz na minha barriga, porque os meus pais apagavam beatas de cigarro na minha barriga”, revelou na manhã desta quarta feira, dia 9 de setembro, no programa Casa Feliz.
Mais do que as cicatrizes visíveis, ficam as marcas psicológicas. “Passando mais para a minha adolescência, podia estar numa festa muito divertido com uma energia espetacular, se um cigarro se aproximasse de mim o meu corpo ficava tenso, contraía se. Não perdia a animação, mas o meu corpo automaticamente contraía se e eu nunca consegui perceber porquê. É uma reação direta do corpo. O meu corpo ficava em alerta e eu não percebia porquê”, contou.
A terapia como ajuda para superar traumas
Ao longo da vida, Micael recorreu à terapia para compreender melhor estas reações. “Há muita reação por ter passado por coisas tão tensas que o meu corpo reage antes de ter forma de interpretar. Percebi mais tarde, com a ajuda de psicólogos. O nosso corpo vai reagir primeiro antes da nossa cabeça. É este o trabalho que ando a tentar fazer”, explicou.
Antes de ser adotado, o marido de Bruna passou por uma casa de acolhimento, onde acabou por conhecer aqueles que se tornariam os seus pais. “Fui retirado pelo tribunal aos meus pais devido a circunstâncias não só de saúde mas também de maus tratos. Estive num centro de acolhimento, não sei as datas. Mas posso dizer que escolhi os meus pais. Quando eles entraram no centro de acolhimento, fui agarrar me a eles. Foram as únicas pessoas a quem me agarrei e com quem tive interação”, recordou.
Sobre os pais biológicos, Micael é categórico. “Nunca os conheci. Já me perguntaram se tenho interesse, teria mais interesse em perceber de onde é que venho e não propriamente das pessoas em si, porque, se fui retirado por maus tratos, não foi falta de condições financeiras. Eles podiam ter dado amor e não ter forma de me criar, mas não, foi mesmo por situações abusivas, aí não faz sentido sequer ter contacto com eles”, afirmou.
Texto: Tomás Cascão; Fotos: Redes sociais