Carlos Cunha “Nunca pedi trabalho a diretores”

O ator fartou-se de esperar por convites para trabalhar em televisão e criou a sua própria produtora há 15 anos. Desde então, percorre o País com a filha mais velha, Erika, com espetáculos: “É o meu braço direito”.

Os convites para trabalhar em televisão escasseiam, mas, aos 72 anos, Carlos Cunha continua imparável e tem levado o seu novo espetáculo, Pátio do
Cunha, de norte a sul do País. É que o ator não se imagina longe da representação e há muito que pôs mãos à obra para não ter de depender de terceiros para poder fazer aquilo de que mais gosta. “Não fico à espera que me chamem para nada, prefiro andar com a casa às costas. E gosto muito. Há 15 anos que crio os meus espetáculos com a minha filha [Erika] e eu adoro. É evidente que hoje em dia já me canso mais… Às vezes, fazemos 400 quilómetros. Antes, depois do espetáculo, ainda ia sair, agora já não consigo”, brinca.

Mas estou muito bem assim, porque não preciso de ligar a ninguém, de ligar a diretores. Nunca liguei. Eu nem tenho o número do José Eduardo Moniz [diretor-geral da TVI]. Não quero ter, não gosto de chatear as pessoas. Porque, se depois me chamarem para fazer algum trabalho, eu fico na dúvida. Não sei se realmente me chamaram porque eu sou preciso ou se é porque liguei a dizer que precisava de trabalhar”, esclarece.

Por isso, se lhe ligarem, vai ficar “muito feliz”. “Eu gosto muito de trabalhar em televisão e felizmente vou fazendo alguns trabalhos. Agora não faço nada há cerca de um ano, mas não fico com saudades tão grandes como poderia ficar porque continuo a trabalhar e a fazer aquilo de que gosto, que é teatro”, diz.

Carlos Cunha conta que agora, na altura do verão, tem tido menos espetáculos: “Há mais música na rua, festas, feiras. Nos teatros está mais calor, mas depois do verão voltamos. Em setembro já quase não temos datas”. O artista destaca o papel de Erika, fruto da relação que teve com Marina Mota. “É muito bom trabalhar com ela. Ela é o meu braço direito, o meu braço esquerdo… Ela faz tudo e mais alguma coisa. É como a mãe”, elogia.

 
Erika tem dois filhos, Aléxia, de 22 anos, e Gabriel, de 20, que estudam na universidade, mas o jovem também trabalha na produtora: “O meu neto é técnico de luzes. Os espetáculos normalmente são aos fins de semana e ele consegue ir connosco”. O artista tem ainda outra filha, Joana, de 20 anos: “Ela não está ligada ao teatro. Está a estudar Comunicação. Já só lhe falta um ano e depois faz o mestrado”.

Texto: Vânia Nunes; Fotos: Tito Calado e Arquivo Impala

Notícia www.novagente.pt

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