Entre Brindes – Há algo mal contado no regresso de Harry e Meghan
Depois de dizerem que não se sentiam seguros, de criticarem a família real e de exporem ao mundo tudo aquilo que alegadamente os fez fugir de Inglaterra, os duques estão de regresso. E alguma coisa não bate certo.
Confesso que, quanto mais leio sobre o regresso de Harry e Meghan ao Reino Unido, mais a sensação de que há qualquer coisa mal contada aumenta. Depois de seis anos nos Estados Unidos, de entrevistas explosivas, documentários, livros e críticas duríssimas à família real e à própria vida que levavam em Inglaterra, os duques de Sussex decidiram agora regressar. E não apenas para uma visita.
E é aqui que começam as perguntas. Durante anos, a segurança foi apresentada como um dos maiores obstáculos. Harry travou uma longa batalha por proteção, argumentando que não se sentia seguro a levar a mulher e os filhos para o seu país. Ainda recentemente, Meghan e as crianças ficaram de fora de uma viagem precisamente por causa dessas preocupações. Agora, regressam para uma estadia prolongada e as condições definitivas de segurança continuam pouco claras. Não terão uma residência real, não voltarão a ser membros ativos da família e as suas necessidades de proteção continuam dependentes de avaliações específicas. Então, afinal, como será resolvido o problema que durante tanto tempo pareceu impossível de ultrapassar?
Mas há outra questão que me deixa ainda mais intrigado: Meghan. É impossível ignorar que continua a ser uma das figuras mais impopulares da realeza. Depois de tudo o que foi dito sobre a instituição, depois das acusações, das críticas à família e da descrição de uma vida da qual parecia querer fugir, porque aceita regressar? Porque uma coisa é Harry querer voltar à terra onde nasceu. Outra é Meghan decidir levar os filhos para uma sociedade que, sabemos, nunca a recebeu com a facilidade que recebeu outras mulheres da família real.
E tenho muitas dúvidas de que esta seja uma decisão fácil para Archie e Lilibet. As crianças vão chegar a um país onde terão de encontrar o seu lugar numa sociedade britânica que já conhece todos os detalhes das guerras familiares que os rodeiam, mesmo antes de terem tido oportunidade de construir uma vida própria.
Quanto a William e Kate, as notícias de desagrado também não surpreendem. Depois de tudo o que Harry revelou, seria quase ingénuo acreditar que bastaria mudar de continente ao contrário para apagar anos de ressentimento.
Por isso, não consigo deixar de pensar que este regresso pode ser mais um enorme tiro no pé para Meghan. Talvez seja uma oportunidade de recomeço. Mas também pode ser o momento em que todos os fantasmas dos quais tentaram fugir voltam a bater-lhes à porta.
Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Shutterstock