Urgências do Hospital de Braga com “enorme sobrecarga” e “equipas subdimensionadas” — sindicato

O Sindicato dos Médicos do Norte (SMN) denunciou hoje que as urgências do Hospital de Braga estão “em risco” por estarem abertas com “equipas subdimensionadas” e com “uma enorme sobrecarga”.

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“É uma enorme sobrecarga para os médicos que estão lá a trabalhar com equipas subdimensionadas, com uma carga que está a levar os médicos que lá estão à exaustão”, alertou, em declarações à Lusa a presidente deste sindicato, Joana Bordalo e Sá, que é também vice-presidente da Federação Nacional dos Médicos (FNAM).

Contactada pela Lusa, a Unidade Local de Saúde de Braga (ULSB) adiantou que está a “monitorizar de forma muito próxima e empenhada”, em articulação com os responsáveis da urgência, a evolução da atividade e os tempos médios de espera previstos para atendimento nesse serviço.

“A ULSB continuará a acompanhar de perto, ao longo do fim de semana, a afluência ao serviço de urgência, de forma a antecipar eventuais necessidades adicionais, com total transparência e responsabilidade”, adiantou a unidade de saúde, manifestando uma “palavra de forte reconhecimento a todos os profissionais” que têm assegurado o atendimento aos utentes que procuram cuidados.

Joana Bordalo e Sá denunciou que, no caso das urgências do Hospital de Braga, “a falta de pessoal do quadro” no Sistema Nacional de Saúde (SNS) e a dependência de prestadores de serviço estão a ter efeitos, sobretudo, na Cirurgia e na Obstetrícia.

Na Cirurgia Geral, explicou, deveriam estar “cinco ou seis” médicos especialistas do quadro, “mas a verdade é que nunca conseguem mais do que três médicos do quadro e o resto dos médicos habitualmente são prestadores de serviço que asseguram o resto”.

Quando não estão estes prestadores de serviço, os três médicos do quadro “estão para o hospital inteiro” e têm de assegurar “todos os postos de trabalho”, o que os obriga a estar no bloco operatório a realizar cirurgias, a apoiar os doentes internados e ainda a estar na triagem, salientou a dirigente sindical.

“Os médicos fazem o melhor que podem e o melhor que conseguem, só que isto depois deixa de ser humano, é altamente inseguro”, indicou a sindicalista, que aconselha todos os médicos a entregar declarações de escusa de responsabilidade.

A oncologista referiu ainda que o hospital diz estar com a urgência de Obstetrícia aberta, mas que não estão lá médicos especialistas em vários períodos.

“Comporta-se como tendo tudo aberto, quando na verdade eles não têm lá médicos ginecologistas e obstetras em muitos períodos – também este fim de semana – para conseguir ver as grávidas e mulheres que cheguem pelo próprio pé à urgência”, garantiu, acrescentando que, depois de avaliadas, algumas utentes são reencaminhadas para Famalicão ou Guimarães.

Em comunicado divulgado na sexta-feira, o SMN disse ter exigido “esclarecimentos urgentes” ao conselho de administração da ULSB para saber quais “as medidas adotadas para garantir a segurança da urgência, o plano de contingência e as soluções estruturais para a falta de médicos”.

AFG/PC // ROC

By Impala News / Lusa

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