ADI pede TC são-tomense para não reconhecer Américo Ramos como presidente do partido
A direção da Ação Democrática Independente (ADI) apelou ao Tribunal Constitucional são-tomenses para não reconhecer Américo Ramos como líder do partido, alegando que o congresso em que se “autoproclamou” violou os estatutos da maior força política do arquipélago.
“Estamos cá para pedirmos ao Tribunal Constitucional que não aceite, que não viabilize, que não deixe efetivar a pouca-vergonha que o Américo Ramos e os seus realizaram”, declarou a vice-presidente da ADI, Celmira Sacramento, numa declaração em áudio hoje enviada à Lusa.
Em causa está o declarado V Congresso Extraordinário da ADI realizado no sábado, à margem da direção do partido presidido pelo ex-primeiro-ministro Patrice Trovoada, no final do qual Américo Ramos se declarou eleito novo líder da Ação Democrática Independente (ADI) em lista única, para um mandato de três anos, alegando o cumprimento de decisão do Tribunal Constitucional.
A vice-presidente da ADI considerou a eleição de uma “farsa” que aconteceu num espaço privado, “com elementos que não são do ADI, pessoas dos outros partidos, pessoas amigas deles, menos os elementos do partido ADI, menos os membros do Conselho Nacional do Partido”.
“Para a realização de um Congresso, deve haver antes um conjunto de ações. Quando é que o Américo Ramos realizou o Conselho Nacional? Quando é que o Américo Ramos elegeu os congressistas para o Congresso”, questionou Celmira Sacramento, alegando que nem sequer houve o ato de votação ou eleição no congresso realizado pela ala de Américo Ramos.
Perante a situação, a vice-presidente da ADI apelou à comunidade internacional, através dos observadores eleitorais, para estarem atentos aos sinais que considerou colocarem em período a democracia do país.
“Os observadores que tiverem que se dirigir a São Tomé e Príncipe para estas próximas eleições, que, por favor, tenham muito cuidado aos mínimos detalhes. A democracia está em risco, o país está em risco. Há uma subversão de ordem que nós jamais vimos neste país. E se isso continuar assim, nós não sabemos como é que a nossa democracia, a nossa jovem democracia, vai continuar”, declarou Celmira Sacramento.
No sábado, após o congresso, Américo Ramos disse que tem todas as condições para ser reconhecido pelo TC como novo presidente da ADI.
“Nós vamos fazer as coisas de acordo com a lei, com o estatuto. Vamos enviar os documentos todos ao Tribunal Constitucional e achamos que há todas as condições criadas para que o Américo Ramos e a sua equipa seja legitimamente a nova direção do ADI”, disse Américo Ramos.
Na sexta-feira, a direção da ADI, liderada por Patrice Trovoada apresentou uma providência cautelar ao Tribunal Constitucional pedindo que proibisse o primeiro-ministro são-tomense, Américo Ramos, e os seus apoiantes de realizar reuniões com militantes do partido, mas o pedido foi rejeitado, num acórdão em que o TC também declarou “não reconhecer a validade das deliberações adotadas pelo Conselho Nacional reunido no dia 21 de junho” que agendou o congresso do partido para o dia 26 de julho.
A crise interna da ADI agudizou-se após a demissão do Governo de Patrice Trovoada em janeiro de 2025 pelo Presidente são-tomense, Carlos Vila Nova, que rejeitou vários nomes propostos pelo partido e escolheu para primeiro-ministro o ex-secretário-geral do partido Américo Ramos contra a indicação da direção da ADI.
Desde então, o partido demarcou-se do Governo, e rompeu posteriormente com os seus elementos que o integraram.
São Tomé e Príncipe terá eleições presidenciais em 19 de julho e legislativas, autárquicas e regional em 27 de setembro.
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By Impala News / Lusa