Nobel László Krasznahorkai faz apelo à leitura que “é sempre um caminho”

O escritor e Prémio Nobel da Literatura 2025 László Krasznahorkai fez hoje, no Porto, um apelo à leitura, salientando que esta pode representar sempre “um caminho”.

Nobel László Krasznahorkai faz apelo à leitura que

“Não se esqueçam de ler um livro. É sempre um caminho”, disse o autor de “O Tango de Satanás”, no final de uma conversa com o músico Pedro Abrunhosa, no âmbito do festival literário Babell, na qual até chegou a adotar os óculos escuros do seu interlocutor para evitar o sol.

Perante uma Praça Gomes Teixeira preenchida, Krasznahorkai explicou, no seu húngaro nativo, em resposta a uma pergunta de Abrunhosa, que evita os pontos finais parágrafos porque quer recuperar o uso que as “pessoas normais” fazem da língua, gracejando que o último será colocado por Deus, como várias vezes tem dito ao longo dos anos.

Dando como exemplo uma hipotética declaração de admiração e amor, o escritor húngaro afirmou que são coisas que não se podem dizer “em pequenas frases curtas”.

“Precisamos de seguir um fluxo, é assim que as pessoas normais falam”, afirmou, de acordo com a tradução instantânea providenciada pela organização, segundo esta combinando o trabalho de profissionais com o apoio de inteligência artificial, que nem sempre tornava inteligíveis as frases do escritor.

László Krasznahorkai explicou que o uso vernacular da linguagem se deve à necessidade de querer expressar coisas muito importantes.

Numa conversa que foi desde os métodos criativos do escritor à ideia de enviar o Presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, para uma missão ao espaço, Krasznahorkai mostrou-se satisfeito pela saída do governo de Budapeste de Viktor Orban, mas alertou: “Parece que somos uma família que queremos agora algum descanso. Se houve um ditador no país devemos lembrar-nos de que poderá haver outros”.

Com uma ‘Praça dos Leões’ preenchida e onde se contavam entre o público o presidente da Câmara Municipal do Porto, Pedro Duarte, e o seu vereador da Cultura, Jorge Sobrado, ouviram-se elogios à cidade, aos portugueses e à Livraria Lello, não uma das mais bonitas do mundo, mas “a mais bonita”. A Krasznahorkai, Abrunhosa ofereceu um vinil de Carlos Paredes.

Instado a elencar escritores que mais admira, László Krasznahorkai disse-se incapaz de escolher apenas um e referiu múltiplos nomes, de uma abrangência histórica que foi de Dante a Thomas Mann, Thomas Pynchon e Fernando Pessoa, ressalvando, quanto a este último, que “Pessoa tem de ser lido na altura certa”.

O escritor húngaro de 72 anos – que esteve para marcar presença no festival Fólio, em Óbidos, no ano passado, antes de cancelar por questões de saúde — tem dois livros publicados em Portugal (“Herscht 07769” e “O Tango de Satanás”, ambos pela Cavalo de Ferro, tendo este último tido uma edição anterior pela Antígona), o que levou Pedro Abrunhosa a apelar para que mais obras do escritor fossem editadas em território nacional, visto que teve de encomendar do Brasil “O Retorno do Barão de Wenckheim” e “A Melancolia da Resistência”.

O festival Babell, organizado pela Fundação Livraria Lello em parceria com a Câmara Municipal do Porto, comissariado por Rui Couceiro, termina na segunda-feira depois de seis dias de conversas, conferências, exposições e lançamentos de livros, entre outras iniciativas.

TDI // MCL

By Impala News / Lusa

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