Pelo menos 355 detidos nas manifestações de hoje no Quénia
A Polícia do Quénia deteve hoje pelo menos 355 pessoas durante as manifestações organizadas por ocasião do segundo aniversário dos protestos antigovernamentais que culminaram no assalto ao Parlamento em 2024, confirmou o ministro do Interior.
Kipchumba Murkomen especificou que o condado de Nairobi registou 161 detenções, seguido pelos de Kajiado (123), Kiambu (36), Muranga (12), Bungoma (nove), Meru (seis), Laikipia (cinco) e Machakos (três).
Murkomen explicou que os detidos irão enfrentar acusações relacionadas com roubo, vandalismo, obstrução da via pública ou tentativa de furto.
“Quero felicitar todos os quenianos por terem atendido o apelo do Governo para manter a paz e prosseguir com as suas atividades diárias”, afirmou o ministro, que se congratulou com a ausência de incidentes generalizados de saques, vandalismo ou confrontos durante o dia, tal como aconteceu noutros protestos.
Da mesma forma, elogiou os agentes de segurança pelo seu “empenho e dedicação” na manutenção da ordem pública, bem como por agirem com o “máximo profissionalismo”.
Para além do bloqueio das principais estradas de acesso ao centro de Nairobi e da instalação de postos de controlo, a Polícia, por vezes acompanhada por cães ou a cavalo, agiu rapidamente para dispersar qualquer aglomeração, por vezes com gás lacrimogéneo e até recorrendo a um apito ensurdecedor de grande intensidade, enquanto quase todos os estabelecimentos comerciais permaneceram fechados.
Um grupo de cerca de 50 pessoas, liderado por políticos da oposição, avançou em direção ao Parlamento para depositar ramos e coroas de flores em memória dos falecidos.
No entanto, não conseguiram chegar ao seu destino devido às cercas de arame que impediam o acesso à sede do Poder Legislativo e a uma presença policial muito superior à dos manifestantes, com agentes à civil e fardados.
A afluência hoje foi muito menor do que entre junho e agosto de 2024, quando milhares de jovens da Geração Z saíram às ruas do país para protestar contra aumentos de impostos, em mobilizações que foram duramente reprimidas e causaram pelo menos 62 mortos, segundo a Autoridade Independente de Supervisão Policial (IPOA, na sigla em inglês).
Muitas dessas mortes ocorreram a 25 de junho, quando, após vários dias de marchas massivas, centenas de pessoas invadiram o Parlamento e as forças de segurança abriram fogo.
Em 2025, nessa mesma data e nos dias próximos, milhares de manifestantes voltaram a tomar as ruas para comemorar o primeiro aniversário desses acontecimentos e foram alvo de uma repressão severa que, segundo a IPOA, causou a morte de, pelo menos, 65 civis.
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By Impala News / Lusa