Entre Brindes Uma Diva na Tribo: A nostalgia de um dos melhores reality shows
Quinze anos depois do fenómeno Perdidos na Tribo, bastou colocar José Castelo Branco novamente no meio de uma tribo para percebermos que algumas fórmulas nunca perdem a magia.
Há programas que marcam uma geração. E, para mim, ‘Perdidos na Tribo’ foi um deles. Lembro-me perfeitamente de ficar colado à televisão em 2011, sem perder um único episódio. Era um daqueles formatos raros que conseguiam misturar aventura, choque cultural, sobrevivência e humor genuíno sem precisarem de recorrer ao conflito permanente para prender o público ao ecrã.
Quinze anos depois, continuo a considerá-lo um dos melhores reality shows alguma vez produzidos em Portugal. E, sejamos honestos, quando pensamos em Perdidos na Tribo há um nome que surge imediatamente na cabeça de todos: José Castelo Branco. Houve outros concorrentes, houve outras histórias, mas foi ele quem criou alguns dos momentos mais memoráveis da televisão portuguesa. Frases, reações e cenas que continuam a circular nas redes sociais mais de uma década depois.
Talvez por isso tenha sido tão surpreendente assistir ao nascimento de ‘Uma Diva na Tribo’. À partida, a ideia parecia quase impossível. Levar José Castelo Branco para uma tribo no Quénia através de uma produção independente, sem os recursos de uma grande estação televisiva, parecia uma aventura condenada ao fracasso. Mas o resultado acabou por demonstrar exatamente o contrário.
Miguel Maximiano, Bernardo Duque Carreira e João Sousa Pinto fizeram algo que muitas produtoras profissionais parecem ter dificuldade em fazer atualmente: criaram entretenimento autêntico. Ao longo dos episódios há humor, há drama, há conflito e há momentos absolutamente caricatos. Mas existe também algo que considero ainda mais importante: humanidade. Não sentimos que estamos a assistir a pessoas colocadas em situações artificiais para gerar polémica. Sentimos que estamos a acompanhar uma experiência real, com todas as dificuldades, desafios e emoções que isso implica.
Na semana passada tive a oportunidade de assistir a um dos episódios numa sessão organizada pelos próprios criadores e aquilo que mais admiro neste projeto vai para lá dos números ou da qualidade técnica. Admiro a coragem. A coragem de três jovens que decidiram avançar sem esperar pela aprovação de ninguém. Que não ficaram à espera que uma estação de televisão lhes abrisse a porta. E admiro também a forma como olharam para José Castelo Branco. Sem preconceitos. Sem julgamentos prévios. Apenas com curiosidade e vontade de contar uma história.
Numa altura em que o entretenimento parece cada vez mais dependente do escândalo, sabe bem encontrar um projeto que nos faça rir, que nos distraia e que nos lembre que nem tudo precisa de ser uma guerra para captar a atenção do público.
Texto: Luís Duarte Sousa; Fotos: Impala