Israel oficializa como seus 46,5 hectares de terras palestinianas ocupadas

O ministro das Finanças israelita, Bezalel Smotrich, afirmou hoje que Israel declarou como propriedade do Estado 46,5 hectares de terras ocupadas no centro da Cisjordânia.

Israel oficializa como seus 46,5 hectares de terras palestinianas ocupadas

“Uma grande notícia para os colonatos: foram declarados 465 ‘dunams’ (46,5 hectares) como terrenos estatais para expandir o colonato de Givot HaRoeh”, escreveu Smotrich na redes sociais.

O ministro reside também, enquanto colono, num colonato judaico na Cisjordânia, considerado ilegal ao abrigo do direito internacional.

O titular das Finanças, que desempenha igualmente funções no Ministério da Defesa israelita com responsabilidades sobre os colonatos na Cisjordânia, defendeu a expansão destas comunidades como uma medida que “reforça a segurança” dos cidadãos em território israelita.

“Perante os planos da esquerda para desmantelar colonatos, continuamos a construir, a expandir e a promover uma soberania de facto”, acrescentou.

Givat HaRoeh é uma comunidade israelita situada entre os colonatos de Givat Harel e Maale Levona, cerca de 12 quilómetros a norte da cidade palestiniana de Ramallah.

O terreno encontra-se também a apenas dois quilómetros das localidades palestinianas de Sinjil e Turmus Aya, alvo quase diário de ataques de colonos israelitas.

A organização não-governamental israelita Peace Now disse à agência de notícias espanhola EFE que a declaração dos terrenos como propriedade do Estado seguiu o procedimento habitualmente utilizado pelas autoridades israelitas, que há décadas expropriam hectares de território palestiniano com diferentes fundamentos.

Em fevereiro deste ano, o Governo israelita aprovou o reinício do registo de terras na Cisjordânia, suspenso desde 1967.

A medida, aplicável à Área C da Cisjordânia que, desde os Acordos de Oslo, corresponde a cerca de 60% do território palestiniano e permanece sob controlo militar e administrativo israelita, permite a Israel reclamar terrenos como propriedade do Estado caso a população local não consiga demonstrar, através de um complexo processo burocrático, a respetiva titularidade.

O registo de terras palestinianas como propriedade do Estado de Israel permite ao país, ao contrário da simples declaração de terrenos estatais, assumir o controlo definitivo dessas áreas, aplicando a sua soberania em matérias como segurança, expansão de colonatos e atribuição de terrenos, algo que, enquanto potência ocupante nos termos do direito internacional, não está autorizado a fazer.

 

JSD // EJ

By Impala News / Lusa

Adicione a Impala como fonte preferida google share