Candidato da esquerda reconhece vitória da extrema-direita nas presidenciais colombianas

O candidato da esquerda às eleições presidenciais na Colômbia, Iván Cepeda, reconheceu hoje a vitória do adversário da extrema-direita, Abelardo de la Espriella, três dias após a segunda volta mais renhida da história eleitoral do país.

Candidato da esquerda reconhece vitória da extrema-direita nas presidenciais colombianas

“Como candidato do Pacto Histórico e a Aliança pela Vida, tal como anunciei na altura e nesta fase da contagem dos votos, decidi aceitar o resultado que decorre desse processo e que indica que Abelardo de la Espriella é o novo Presidente da República”, afirmou Cepeda numa conferência de imprensa.

O político de esquerda assegurou ter tomado a decisão com base num “ato de responsabilidade democrática” e afirmou que pretende contribuir “para a convivência, a paz e o diálogo entre os colombianos”.

Segundo a contagem preliminar divulgada no domingo, dia em que decorreu a segunda volta das eleições presidenciais, Iván Cepeda, candidato apoiado pelo Presidente cessante Gustavo Petro, foi derrotado por uma diferença inferior a um ponto percentual (49,7% – correspondente a 12,9 milhões de votos – contra 48,7%).

Inicialmente, Cepeda tinha afirmado que apenas aceitaria os resultados após a contagem final, que deverá ficar concluída ainda hoje.

“Faço-o porque acreditamos profundamente na democracia e porque estamos convictos de que as diferenças políticas devem ser resolvidas através da participação dos cidadãos, do respeito pelas instituições e do debate público”, afirmou hoje.

Cepeda destacou ainda o equilíbrio do resultado eleitoral, afirmando que “a votação revela uma diferença extraordinariamente reduzida entre as duas opções que disputaram a confiança do povo colombiano”.

Segundo o líder do partido Pacto Histórico, que ao terminar em segundo lugar nas eleições voltará a ocupar o cargo de senador no período 2026-2030, o processo de apuramento realizado pelas autoridades eleitorais está “praticamente concluído” e agradeceu aos milhares de delegados, advogados e observadores eleitorais que participaram na fiscalização do ato eleitoral em representação da coligação esquerda (Pacto Histórico e da Aliança pela Vida).

Na segunda-feira, Iván Cepeda apelou à serenidade e à mobilização pacífica, após os confrontos registados em várias cidades da Colômbia na sequência da vitória eleitoral de Abelardo de De la Espriella.

Os protestos começaram na noite de domingo, após o anúncio dos resultados eleitorais preliminares da segunda volta presidencial, e degeneraram em confrontos com a polícia em Bogotá e Cali, a terceira maior cidade do país.

Milhares de manifestantes saíram às ruas sob o lema “Resistência”, contestando a vitória tangencial de De la Espriella, apoiado politicamente pelo Presidente norte-americano, Donald Trump.

Em Cali, uma marcha inicialmente pacífica, acompanhada por música indígena, terminou em confrontos entre manifestantes e a polícia antimotim, que recorreu a gás lacrimogéneo para dispersar a multidão.

Ao mesmo tempo, enquanto De la Espriella discursava perante apoiantes na cidade de Barranquilla, manifestantes queimavam pneus e bandeiras dos Estados Unidos em diferentes pontos do país.

Na capital colombiana, centenas de pessoas concentraram-se junto à Universidade Nacional, um símbolo da educação pública, mas a manifestação tornou-se violenta quando alguns participantes incendiaram barricadas e lançaram objetos contra as forças de segurança, que responderam igualmente com gás lacrimogéneo.

A eleição de De la Espriella, advogado e empresário de 47 anos que promete uma agenda ultraliberal centrada na segurança e na redução da intervenção do Estado na economia, aprofundou a polarização política no país e desencadeou uma das mais expressivas vagas de protestos desde a divulgação dos resultados eleitorais.

De la Espriella prometeu uma “nova era” na Colômbia após os resultados preliminares lhe darem a vitória na segunda volta das presidenciais por uma margem apertada, levando o país, assolado pela violência de grupos armados, a uma viragem à direita.

Com a vitória de De la Espriella, a Colômbia, o maior produtor mundial de cocaína, torna-se o mais recente país latino-americano a inclinar-se para a direita, seguindo os passos da Argentina, Chile e Equador, cujos líderes, alinhados com Washington, não tardaram a felicitá-lo.

Admirador dos presidentes populistas de El Salvador, Nayib Bukele, e da Argentina, Javier Milei, De la Espriella prometeu construir mega-prisões onde os detidos receberiam “pão e água”, bombardear campos de narcotráfico com o apoio dos Estados Unidos e de Israel, e reduzir a dimensão do aparelho de Estado em 40%.

 

JSD (RJP) // SCA

By Impala News / Lusa

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