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A borboleta que quase não envelhece e vive 25 vezes mais do que as outras

A maioria das borboletas vive apenas algumas semanas. As Heliconius, encontradas nas florestas tropicais da América Central e do Sul, vivem até 348 dias e quase não envelhecem. Um estudo publicado na Nature Communications descobriu o porquê — e a resposta pode mudar o que sabemos sobre o envelhecimento.

A borboleta que quase não envelhece e vive 25 vezes mais do que as outras

Há um segredo encontrado em borboletas sobre longevidade e envelhecimento que pode vir a ajudar os humanos. A Dione juno vive 14 dias depois de atingir a fase adulta. A Heliconius hewitsoni, sua prima próxima, vive 348 dias. A diferença é de 25 vezes. E não é apenas a duração da vida que separa estas duas borboletas: a Heliconius envelhece a um ritmo muito mais lento, mantendo-se saudável e funcional durante grande parte da sua vida adulta.

Um estudo liderado pela Universidade de Bristol e publicado a 16 de junho na revista Nature Communications analisou 27 espécies do grupo Heliconiini e descobriu que as borboletas Heliconius não só vivem mais tempo como evoluíram para abrandar o próprio processo de envelhecimento. É uma raridade no reino animal e os cientistas acreditam que pode fornecer pistas valiosas para a investigação sobre longevidade humana.

O que as separa das outras borboletas

A primeira diferença é a dieta. A maioria das borboletas alimenta-se exclusivamente de néctar, combustível rico em açúcares, mas pobre em proteínas. As Heliconius fazem algo raro entre os lepidópteros: comem pólen. O pólen fornece aminoácidos essenciais que o néctar não contém, e os investigadores acreditam que esta dieta mais rica pode ser uma das explicações para a longevidade extraordinária do grupo.

Para testar esta hipótese, a equipa estudou os efeitos da dieta na Heliconius hecale, espécie comedora de pólen, comparando-a com outra que não come pólen. Os resultados mostraram que o pólen contribui para uma vida mais longa, mas não é a única explicação. As Heliconius parecem ter desenvolvido mecanismos biológicos adicionais que abrandam o envelhecimento independentemente da dieta.

Quase sem sinais de declínio físico

O que torna estas borboletas verdadeiramente extraordinárias não é apenas viverem mais. É a forma como envelhecem. As Heliconius apresentam taxas de mortalidade base mais baixas, ritmos de envelhecimento mais lentos e, em algumas espécies, poucos sinais visíveis de declínio físico ao longo da vida adulta.

“As borboletas Heliconius estão entre as que vivem mais tempo, mas o que as torna particularmente notáveis é que parecem ter evoluído não apenas para ter vidas mais longas, mas também para envelhecer mais lentamente”, afirmou a investigadora principal Jessica Foley, da Universidade de Tufts.

O que isto significa para a ciência do envelhecimento

Os mecanismos biológicos que regulam o envelhecimento são amplamente conservados ao longo da evolução; ou seja, os processos que determinam quanto tempo vive uma mosca ou uma borboleta têm paralelo com os que determinam quanto tempo vive um ser humano. É por isso que a descoberta de um grupo de borboletas que evoluiu para abrandar o envelhecimento tem implicações que vão muito além da entomologia.

“A implicação entusiasmante desta extensão do tempo de vida é que fornece uma oportunidade poderosa para identificar os mecanismos que sustentam a longevidade. Ao comparar as borboletas Heliconius de vida longa com as suas parentes de vida curta, temos uma experiência evolutiva natural que pode ajudar a revelar como o tempo de vida é estendido”, explicou Foley.

Os investigadores pretendem agora identificar quais os genes e processos celulares específicos que permitem às Heliconius envelhecer mais devagar. Se esses mecanismos puderem ser identificados e compreendidos, podem abrir novas vias para a investigação sobre o envelhecimento saudável em humanos. A resposta para uma das maiores questões da biologia pode estar afinal escondida nas asas de uma borboleta tropical.

Luís Martins; WiN
Imagem Pexels

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