STCP garante estar preparada para se adaptar aos transportes grátis no Porto
O presidente da Sociedade de Transportes Coletivos do Porto (STCP), Luís Osório, disse hoje que a empresa está preparada para os transportes gratuitos para residentes na cidade, “sobretudo para adaptar” o serviço, mas sem ter certezas absolutas.
“Não tenho certezas absolutas, mas a STCP está preparada, sobretudo para adaptar. Não é para comprar e meter mais 20 autocarros num sítio onde já não cabe um. Isso não resolve coisa nenhuma”, disse hoje o presidente da transportadora na conferência de abertura da Entre Linhas – Festa do Ferroviário, que decorre até domingo no Fórum Cultural de Ermesinde, Valongo, com organização da autarquia.
Segundo Luís Osório, “não adianta pensar que por meter mais 10 autocarros às cinco da tarde no centro do Porto” se irá ” resolver algum problema”.
“Não vou. Vou piorar. Portanto, o que eu tenho de fazer é que os que andam, andem melhor. Isso sim é uma solução”, referiu.
Para isso, salientou que, para si, “mais importante” do que a gratuitidade dos transportes públicos para residentes portadores do Cartão Porto., anunciada hoje pelo presidente da Câmara do Porto, Pedro Duarte (PSD/CDS-PP/IL), é o hoje ter sido “dito que até ao final do ano, na cidade do Porto, aos 16 quilómetros, vão ser acrescentados seis” quilómetros de faixas BUS.
“Percentualmente é muito, numa cidade que não tem espaço. Portanto, isto para nós vai significar muito mais em termos de impacto operacional do que qualquer outra coisa”, salientou.
Questionado pelo moderador do debate, o jornalista Ruben Martins, sobre a troca de lugares de estacionamento por faixas BUS, Luís Osório disse que “tudo que seja decisões de substituir algo por algo, é sempre difícil porque alguém fica sempre chateado”.
“É preciso alguém com coragem política. E essa coragem política, fazer agora mais seis quilómetros, existe. E vai acontecer. E, portanto, isso para nós é a grande diferença”, apontou, estando também convencido – e salientando que “sabe um bocadinho” – que “vão acrescentar outras medidas de restrição ao trânsito automóvel”.
Segundo Luís Osório, com a medida hoje posta em prática, “já existe a facilidade das pessoas não terem a desculpa de que vão pagar pelos transportes”.
“Não vão e, portanto, agora é fácil restringir alguns movimentos indesejados”, disse, mas não iria “tão longe” ao ponto de dizer que o centro do Porto ficará sem carros.
No mesmo debate estava o presidente da Transportes Metropolitanos do Porto (TMP), Nuno Neves de Sousa, cuja grande parte da carreira foi feita no setor do estacionamento, falando com conhecimento de causa que “as cidades mais evoluídas do mundo não têm estacionamento à superfície”, espaço esse que “foi resgatado” para os peões.
Depois, o líder da TMP citou os exemplos de Barcelona e Paris, que pedonalizaram as ruas e restringiram o uso do automóvel nos últimos anos.
“O exemplo de Barcelona é mais simples, criaram mega quarteirões, e a lógica dos mega quarteirões resgatou rapidamente, de forma imediata, o espaço público para as pessoas, para as crianças, para os mais idosos”, frisou, apesar de inicialmente se ter criado “algum sobressalto”.
Já em Paris, citou o exemplo da anterior presidente da Câmara, Anne Hidalgo, que foi “muito mais estrutural” e “deixou uma semente”, pois “há 10/12 anos havia um trânsito caótico em horas de ponta” e agora “às seis da tarde quase não existem carros na baixa de Paris”.
A especialista em mobilidade Paula Teles admitiu, quanto à gratuitidade dos transportes, que “pode ter que se começar pelo telhado para dar um sinal que a governação está a apoiar esse caminho, que é dar transporte público” para depois se retirar espaço ao automóvel.
“Nós precisamos mesmo de resgatar espaço automóvel para o transporte público. E não é pensar em BRTs”, vulgo metrobus, vincou, após uma intervenção também centrada nas acessibilidades, em que sublinhou que “o passeio é a prioridade”.
Já a professora universitária Cecília Silva vincou que “a mobilidade começa no território”.
“Os problemas de mobilidade que temos hoje resultam da falta de planeamento territorial que tivemos ontem. E a falta de planeamento territorial que tivermos hoje vai-nos trazer os problemas de mobilidade de amanhã”, alertou, dizendo que “se o território evoluir como quer” depois “não vai haver soluções milagrosas”.
JE // JAP
By Impala News / Lusa